Marcos Bezerra/Futura Press
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Advogado admite que foi procurado por empreiteiro

Em nota, escritório de Tiago Cedraz, filho do presidente do TCU, informou ter sido consultado por Ricardo Pessoa, da UTC, mas que 'a contratação não foi efetivada'

Fábio Fabrini, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 00h32

Brasília - O escritório de Tiago Cedraz admitiu nesta sexta-feira, 17, que foi procurado por Ricardo Pessoa para atuar em processo do TCU que discutiu a licitação para obras na usina de Angra 3, de interesse da UTC. Em nota, informou ter sido consultado pelo empresário, mas que "a contratação não foi efetivada".

O escritório alegou que "a simples consulta, mesmo com a contratação não sendo efetivada, já foi suficiente para Tiago solicitar o impedimento do pai". Na época, o ministro Cedraz pediu vista do processo numa sessão, justificando que esteve "ausente" nas semanas anteriores e para que pudesse votar "com mais consciência". Duas semanas depois, num comportamento atípico, em vez de votar, se declarou impedido, argumentando que não pôde "se debruçar" sobre o caso.

O pedido de vista foi lido em sessão pública e divulgado no site do TCU. O escritório sustenta que o ministro não lhe forneceu na ocasião informações privilegiadas ou antecipadas, o que está sob investigação. 

No julgamento, o relator, Raimundo Carreiro, e os demais ministros divergiram da área técnica e mandaram a licitação seguir, o que interessava ao consórcio da UTC. Em 2014, a empreiteira e as parceiras na obra assinaram o contrato.

O escritório avisa que processará o Pessoa, "civil e criminalmente, pelas mentiras lançadas no bojo de uma delação premiada forjada para atenuar ilícitos confessados". 

Cedraz, em nota, disse que "é prerrogativa de ministro pedir vista de qualquer processo da pauta de votação, para melhor avaliar os elementos que entender necessário".

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