Advogado abre mão e não comparece a julgamento do prefeito de Campinas

Sessão que julga impeachment do prefeito na Câmara Municipal tem previsão de durar até a madrugada deste sábado

Tatiana Fávaro, de O Estado de S.Paulo,

19 de agosto de 2011 | 19h55

O clima político esquentou na Câmara de Campinas, na sessão de julgamento do pedido de cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT). Após quase 36 horas de leitura do processo - parte inicial da sessão que deve durar até a madrugada deste sábado - expectativa é de quase unanimidade dos votos para derrubar o pedetista. Os advogados do prefeito teriam duas horas para pronunciamento após a leitura do processo e a manifestação dos vereadores, mas não compareceram à sessão nesta sexta e devem pedir a anulação da sessão na Justiça.

 

"O nosso trabalho com relação à Câmara de Campinas terminou ontem (quinta-feira)", afirmou o advogado Alberto Rollo, da equipe de defesa do prefeito. Rollo não quis confirmar a informação extraoficial que corria nos bastidores, de um pedido de anulação. "Não jogamos a toalha. Só não vou divulgar a minha estratégia porque não posso dizer qual vai ser a escalação do meu time ao técnico do time adversário", disse.

 

Alberto Rollo é pai do advogado Alberto Luis Rollo, que apresentou pedido de requerimento de suspensão dos trabalhos nesta quinta-feira até ser apurada denúncia divulgada na véspera da reunião que pode culminar com o impeachment.

 

A denúncia refere-se a uma gravação divulgada pela afiliada da Rede Globo em Campinas, na noite de quarta-feira, na qual o vereador Aurélio Cláudio, do mesmo partido do prefeito, tem uma conversa com o advogado Ricardo Marreti sobre um dinheiro que deveria ser pago pelo prefeito. O advogado afirma na reportagem que o dinheiro seria usado em um esquema de compra de votos. Em entrevista na Câmara nesta sexta, o vereador negou que fosse referência à compra de votos, e disse que seria um pagamento de dívida de campanha que nem chegou a ser feito pelo pedetista.

 

Para o vereador Sérgio Benassi (PC do B), da base do prefeito, a ventilação da denúncia deve ser o pivô do impeachment. Benassi foi o único que declarou abertamente o voto a favor do prefeito. "Foi um fato novo, fora dos autos, que gerou um forte impacto e alterou o voto de vereadores em prejuízo de alguém que nem pôde se defender", disse.

 

Caso a cassação do prefeito Hélio de Oliveira Santos seja aprovada e promulgada pela Câmara de Campinas, o pedetista deve deixar o cargo assim que a decisão for publicada no Diário Oficial do Município. Então, quem assume o cargo é o vice-prefeito Demétrio Vilagra (PT), sobre quem recaem acusações do Ministério Público do Estado de São Paulo de supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e fraudes em licitações. Vilagra chegou a ser preso durante as investigações e ter, em uma segunda vez, prisão decretada e, posteriormente, revogada.

 

Nesta sexta-feira, o PT divulgou nota da Executiva Municipal e o voto da bancada, composta por três vereadores, a favor da cassação do mandato do prefeito. "Não é uma ruptura com o prefeito, é a constatação de um fato: a coligação perdeu a consistência política", afirmou o presidente do PT local, Ari Fernandes.

 

Caso Vilagra assuma, a Câmara deverá formar uma nova Comissão Processante para avaliar o pedido de cassação do mandato do petista. Nesse caso, quem assumiria o Poder Executivo seria o presidente da Câmara, Pedro Serafim (PDT).

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