Advogada de petista usa defesa para elogiar governo

Roberta Rangel alega que saque foi feito por assessor do professor Luizinho, por ordem de Delúbio Soares

23 de agosto de 2007 | 12h27

Roberta Maria Rangel, advogada do professor Luizinho (PT-SP), ex-líder do governo na Câmara, iniciou sua defesa elogiando a transparência do governo e a conduta do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, que respondeu com um sorriso tímido. O Supremo Tribunal Federal (STF) realiza, nesta quinta-feira, 23, o segundo dia do julgamento para decidir sobre a instauração de ação penal contra os 40 investigados no escândalo do mensalão.   Veja também:   Advogado pede para STF separar 'mensaleiro de inocente mensageiro' Defesa não está tomada de 'delírio coletivo', diz advogado de Costa Neto 'Nunca vi esse tipo de diálogo', diz ministro sobre troca de mensagens Fotógrafo flagra conversa entre ministros e STF proíbe fotos STF tem segundo dia de julgamento do mensalão Supremo tende a aceitar ação contra os 40 mensaleiros CONJUR: Indícios bastam para que denúncia seja aceita Veja imagens do julgamento  Íntegra do relatório do ministro Joaquim Barbosa   Quem são os 40 do mensalão   Saiba como o STF vai examinar a denúncia do 'mensalão' Deputados na mira: os cassados, os absolvidos e os que renunciaram  Entenda: de uma câmera oculta aos 40 do mensalão      Roberta lembrou que o denunciado foi absolvido na Câmara e apontou defeitos na denúncia. Um deles seria a falta de premissas e a profusão de conclusões. A advogada alega que o único motivo do professor Luizinho ser citado na denúncia, a única premissa exposta, é o fato do ex-parlamentar ser, à época, líder do partido.     Luizinho, que não foi reeleito, é acusado de lavagem de dinheiro e é apontado como beneficiário de R$ 20 mil das contas de empresas de publicidade de Marcos Valério. A defesa manteve os argumentos do petista alegando que o saque foi feito por um assessor, Nilson dos Santos, que agiu sob orientação do tesoureiro do PT, à época Delúbio Soares.   A advogada disse que Santos não fez o saque de forma ilícita: "foi apenas um saque em conta corrente". Roberta disse ainda que há provas de como o dinheiro foi usado. "O tesoureiro indicou a Santos o Banco Rural na avenida Paulista, se identificou, retirou a quantia de R$ 20 mil e fez uma arte gráfica", que, segundo Roberta Rangel, seria usada na campanha eleitoral de três vereadores na região do ABC.   O esquema do mensalão - pagamento de uma suposta mesada a parlamentares para votarem a favor de projetos do governo - foi denunciado por Roberto Jefferson, então deputado pelo PTB e presidente da legenda, que acabou sendo cassado por conta de seu envolvimento.   Segundo Jefferson, os pagamentos mensais chegavam a R$ 30 mil e o esquema de repasse do dinheiro era feito através de movimentações financeiras do empresário Marcos Valério. Dos acusados de envolvimento no esquema, foram cassados José Dirceu, Roberto Jefferson (PTB-RJ), que denunciou o mensalão, e Pedro Corrêa (PP-PE). Quatro parlamentares renunciaram para fugir do processo e 11 foram absolvidos.

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