Advogada contesta fundamentos da prisão de Jader

A advogada Ângela Sales, uma das defensoras de Jader, contesta os fundamentos da prisão preventiva decretada contra seu cliente apresentados pelo juiz de Palmas, Alderico Santos. A garantia da ordem pública, a conveniência da instrução criminal e o risco de fuga, que normalmente levam um juiz a decretar a prisão de algum acusado, segundo Angela não estão presentes no caso de Jader."Ele tem residência fixa, é reu primário, não pretendefugir porque é uma figura pública e nem está pressionando testemunhas ou outras pessoas arroladas no processo. O requisito de não ter residência fixa já está afastado, assim como Jader nunca esteve com nenhuma das testemunhas arroladas no processo, o que afasta a alegação de obstrução da Justiça", afirma a advogada.Quando o inquérito foi instaurado no Tocantins, ooutro advogado de Jader, o ex-juiz federal Edson Messias de Almeida, ingressou com uma petição no Ministério Público Federal de Palmas informando o endereço de Jader e colocando o ex-senador à disposição da Justiça.O fato de o mandado de prisão ter sido cumprido pelo delegado da PF Luiz Fernando Ayres Machado, que não presidiu o inquérito contra o ex-senador, é visto com estranheza por Angela Sales. Ela diz que o delegado é ligado ao senador Romeu Tuma, "inimigo de Jader".A jurisdição de Luiz Fernando é em Brasília e, segundo a advogada, quem deveria ter cumprido a ordem da Justiça era o delegado Élvio Leite, que foi quem presidiu o inquérito no caso Sudam.A decisão do juiz Alderico Santos não acompanhou omandado de prisão, argumenta Ângela Sales. Segundo ela, houve muitas dificuldades para que Edson Messias tomasse conhecimento do decreto de prisão contra o Jáder e providenciasse logo o habeas-corpus.Em contato mantido às 19h de sexta-feira, Messias ficou sabendo que o decreto de prisão ainda estava na mão do juiz, que ainda não havia despachado porque estava com "dor de cabeça".Às 19h40, o gabinete do juiz mandou um fax para os advogados de Jader informando-os sobre a prisão. "O delegado Luiz Fernando tinha a ordem de prisão, mas não apresentou o mandado do juiz, que é um documento obrigatório", critica Ângela Sales.

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