André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Adversários pela presidência do Senado, Renan chama Tasso de ‘coronel da política’

Tucano é visto como uma alternativa de renovação na Casa, apesar de ser veterano na política; votos 'anti' Renan podem somar 23 votos

Adriana Ferraz e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2019 | 17h08

Considerados os candidatos com mais chances de alcançar a presidência do Senado, em eleição que ocorre no dia 1 de fevereiro, Renan Calheiros (MDB-AL) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) costuram apoio nos bastidores, enquanto evitam confrontos públicos. Ou ao menos evitavam. Nesta quinta-feira, 17, o emedebista usou sua conta no Twitter para atacar o tucano. “Ainda sem ser candidato, sobre eleição no Senado: bato mais facilmente continência para um major da polícia, do que para um coronel da política como Tasso”, escreveu Renan.

Reportagem publicada na edição desta quinta do Estado mostra que a campanha pelo posto de presidente do Senado, e consequentemente do Congresso Nacional,  tem sido marcada por movimentos estrategicamente planejados e com a marca do ‘anti’. Assim como ocorreu na eleição presidencial, a escolha será definida por grupos a favor e contra a chamada “velha política”, neste caso, representada por Renan Calheiros, um dos poucos caciques que permanecerão no cargo na próxima legislatura.

Segundo pessoas próximas de Renan, o senador alagoano tenta reverter a imagem de que representa a política tradicional enquanto Tasso, que também é um veterano das urnas, é mostrado como uma possibilidade de renovação.

Sem o apoio do presidente Jair Bolsonaro ou do partido dele, o PSL – que tem o major citado no Twitter como candidato, Major Olímpio (PSL-SP) ­ - Renan acompanha a pretensão de Tasso firmar uma espécie de acordo tácito com a base aliada para derrota-lo, mesmo que numa votação apertada e secreta. O tucano trabalha para ser o nome de um bloco que surge para se contrapor a Renan e que conta com PDT, PSB, Rede e PPS. Juntas, essas siglas somam 15 parlamentares. Com o PSDB, o grupo teria em mãos 23 votos.

O termo citado por Renan – “coronel da política” – costuma ser usado para classificar políticos que se perpetuam no poder, especialmente no Nordeste. Antes de chegar ao Senado, onde cumprirá a partir de fevereiro seu quarto mandato, o emedebista foi deputado federal e estadual por Alagoas, governado atualmente por seu filho, Renan Filho, reeleito ano passado para mais quatro anos de mandato. Tasso também fez carreira na política, apesar de ainda atuar como empresário. Filho do ex-senador Carlos Jereissati, iniciou sua vida pública já como governador do Ceará, que comandou por dois mandatos antes de se eleger senador.

Na disputa pelo cargo, Renan também tem atacado nas redes sociais o procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba. Dallagnol lidera uma campanha online para que a votação não ocorra por voto secreto, como determina o regimento do Senado, mas aberto, para que a população acompanhe em quem votou o senador que a representa. Renan poderia ser prejudicado nesta segunda hipótese e já afirmou, no Twitter, que “quando fevereiro chegar” entrará no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) contra o procurador que, segundo ele, “continua a fazer política com declarações, tweets e retweets”. Antes, ainda afirmou que o procurador continua a proferir “palavras débeis”, vazias e a julgar sem isenção, como um “ser possuído”.

 

 

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