Adversários no Sul , PCdoB e PPS se unem em Porto Alegre

Partidos resolveram aplainar diferenças em nome de planos comuns para a cidade

REUTERS

20 de junho de 2008 | 14h00

A disputa pela prefeitura de Porto Alegre está aproximando antigos adversários. PCdoB e PPS estavam em lados opostos na política gaúcha e continuam divergindo sobre o governo Lula, mas resolveram aplainar diferenças em nome de planos comuns para a cidade.  "(A política nacional) não é o que nos pauta. O PPS é diferente aqui no Estado e, em torno de um projeto local, temos afinidades", disse Adalberto Frasson, presidente estadual do PCdoB, à Reuters. No Rio Grande do Sul, o PCdoB era um aliado tradicional do PT enquanto o PPS esteve mais próximo de partidos como PMDB e PSDB. A aliança foi selada com a confirmação do deputado estadual Berfran Rosado (PPS) como vice na chapa que terá a deputada federal Manuela D'Ávila (PCdoB) como candidata à prefeita. A expectativa de que a comunista repita o bom desempenho nas urnas estimulou os dois partidos a optar por táticas eleitorais longe de seus antigos parceiros. Após dois anos como vereadora na capital, Manuela obteve mais de 271 mil votos para deputada, a terceira maior votação para a Câmara em toda a história do Rio Grande do Sul. "Sempre trabalhamos com a idéia de candidatura própria. Está na hora do PCdoB se apresentar", disse o presidente estadual da legenda. Oportunidade de crescer e manter independência também seriam as razões do PPS. Segundo declarações de Berfran Rosado a um jornal local, "o PPS quer ser protagonista" e não está disposto a ser "linha auxiliar de algum partido grande". O partido chegou a cogitar lançar uma candidatura própria ou mesmo apoiar a provável candidatura à reeleição do prefeito José Fogaça (PMDB). Aposta em Manuela O PCdoB pretende convencer o eleitorado com propostas capazes de enfrentar os problemas na saúde e no transporte, setores que seriam os principais "gargalos" da cidade. Para isso, propõe modificar a gestão do atendimento médico e ressuscitar o projeto de uma linha de metrô na capital. As possíveis críticas sobre a falta de experiência administrativa da deputada Manuela D'Ávila não são vistas com preocupação. Manuela tem 26 anos e na sua trajetória política tem dois anos como vereadora na capital e o atual mandato na Câmara Federal. "Será muito fácil enfrentar (a crítica). Quem tem experiência na primeira eleição? O (prefeito) Fogaça não teve, o (presidente) Lula não teve. O que garante é a linha política", disse Frasson. O PCdoB quer manter a crítica aos governos locais, mesmo com a parceria do PPS que participou das administrações do prefeito José Fogaça (ex-PPS e atualmente PMDB) e da governadora Yeda Crusius (PSDB). Para Frasson, o "PPS mudou" e a vitória da proposta de adesão à candidatura de Manuela seria um sinal de que os setores governistas estariam minoritários. O principal opositor à aliança seria o ex-secretário estadual César Busatto (PPS). Ele preferia se aliar a Fogaça. Busatto é apontado como pivô da última crise política que abalou o governo estadual e pediu demissão depois da divulgação de uma conversa sua com o vice-governador, Paulo Feijó (DEM). A gravação feita e divulgada pelo próprio Feijó é apontada como comprovação de uso de dinheiro público no financiamento de campanhas eleitorais. O fato ganhou relevância já que existe uma CPI na Assembléia Legislativa que tenta esclarecer um desvio de 44 milhões de reais do Detran. A aliança do PCdoB e PPS contará ainda com o PSB e PR. Na capital, já foram confirmadas as candidaturas da deputada federal e ex-militante comunista, Maria do Rosário (PT), Luciana Genro (Psol), Onyx Lorenzoni (DEM). A candidatura de José Fogaça (PMDB) à reeleição deve ser anunciada na próxima semana.

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