Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Adversários de Cunha afirmam que renúncia é manobra para evitar cassação de mandato

Embora comemorem a saída definitiva do parlamentar do comando da Casa, líderes da oposição dizem estar atentos aos próximos passos do peemedebista, que, segundo eles, pode influenciar também na escolha de seu sucessor

Julia Lindner, Bernardo Caram, Daiene Cardoso e Ricardo Brito, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2016 | 16h19

BRASÍLIA - Adversários de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) avaliaram que a renúncia do deputado à Presidência da Câmara, nesta quinta-feira, 7, representa mais uma manobra do parlamentar para evitar a cassação do seu mandato. Embora tenham comemorado a saída definitiva de Cunha do comando da Casa, líderes da oposição estão atentos aos próximos passos do peemedebista, pois acreditam que ele influenciará fortemente na escolha do seu sucessor. A minoria também se articula para escolher o seu candidato à eleição, prevista para ocorrer na próxima semana.

Os oposicionistas consideram que a renúncia de Cunha à Presidência da Câmara tenha sido anunciada nesta quinta-feira, 7, como uma tentativa de sensibilizar os seus aliados e de desviar o foco do processo que tramita na Casa contra ele. Na próxima segunda-feira, 11, os parlamentares devem votar o parecer do relator Ronaldo Fonseca (PROS-DF), na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que acatou um dos 16 recursos da defesa de Cunha. O parecer de Fonseca defende a anulação da votação do Conselho de Ética que decidiu pela cassação do mandato do deputado. A votação final do processo de Cunha será feita no plenário.

Para o deputado Ivan Valente (SP), líder do PSOL, um dos autores da denúncia contra Cunha, a renúncia do deputado à Presidência foi a "primeira grande vitória do partido" e a segunda vitória será a "cassação e a prisão" do parlamentar. "A saída de Cunha é a última tentativa de se salvar. Mas eu acho que a situação dele está insustentável, seja no plenário, seja na CCJ, e ele será cassado", declarou. "Cunha não comove ninguém, ele dizer que está sendo expulso por vingança é um vexame, um escárnio (...) As lágrimas de Cunha não comoveram nem os crocodilos", ironizou. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) afirmou que a carta da renúncia de Cunha em tom emotivo foi um ato totalmente político.

O líder da Rede, deputado Alessandro Molon (RJ), avaliou que o objetivo da renúncia de Cunha é "confundir e desviar o foco de sua cassação. "Esse é um hábito dele, transformar derrotas em manobras." Segundo Molon, o peemedebista pretende trocar o ato da renúncia pela salvação do seu mandato de deputado. "Não tem nenhuma possibilidade de Cunha se salvar no plenário. Isso (a renúncia) é fruto de uma sequência de derrotas, ele vem caindo um degrau após o outro", disse. O deputado considerou também que o parlamentar "não renunciou a nada", pois, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastá-lo, todos sabiam que ele não tinha mais condições de voltar ao poder.

Ao ser questionado sobre o fato de ser um dos possíveis candidatos da minoria à presidência da Casa, Molon desconversou. "A principal tarefa para a semana que vem é a cassação de Eduardo Cunha", ponderou. Na avaliação do líder, Cunha não se sustentou na presidência por causa da opinião pública, e a sua permanência prejudicou a imagem do Congresso Nacional como um todo. "A Câmara precisa eleger um nome que resgate a credibilidade da Casa (...) Pensar na presidência da Casa antes de haver uma decisão na CCJ é colocar o carro na frente dos bois", concluiu.

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