Governo de São Paulo/ Divulgação
Governo de São Paulo/ Divulgação

Adversários de Bolsonaro, Doria e Witzel costuram aproximação durante carnaval

Governadores de São Paulo e do Rio de Janeiro marcaram almoço no domingo; os dois têm pretensões de disputar a Presidência em 2022

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2020 | 13h47

BRASÍLIA - Dois dos principais desafetos políticos do presidente Jair Bolsonaro, os governadores João Doria (PSDB), de São Paulo, e Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, costuram uma aproximação política que pode ser iniciada no próximo domingo, dia 23. Witzel receberá Doria para um almoço reservado no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador fluminense. Os dois governadores têm pretensões de disputar a Presidência em 2022 e avaliam possíveis alianças eleitorais futuras.

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Antes apoiadores de Bolsonaro, eles se tornaram alvos preferenciais de críticas do presidente desde que passaram a manifestar desejo de se candidatar ao Planalto. Oficialmente, o encontro tratará de temas comuns aos dois Estados, como economia, segurança pública e a relação com o governo federal. O pano de fundo, porém, é a tensão política de ambos com Bolsonaro.

Doria e Witzel estão entre os vinte governadores que assinaram uma carta divulgada na segunda, 17, criticando Bolsonaro por não contribuir para a “evolução da democracia.” Os chefes dos Executivos dos Estados repudiaram falas do presidente a respeito do ex-capitão da Polícia Militar do Rio, Adriano Magalhães da Nóbrega, acusado de chefiar uma milícia e de ter participação no assassinato da ex-vereador Marielle Franco. O texto também menciona o desafio de Bolsonaro para que os governadores abrissem mão do ICMS que incide sobre o preço dos combustíveis. 

Neste momento, Doria e Wtizel, segundo seus aliados, não admitem abrir mão de uma eventual candidatura a presidente 2022. Para se cacifar ao cargo, eles contam com o trabalho desempenhado em seu respectivo Estado. A aproximação, porém, pode dar início à uma construção política nacional conjunta. 

A sugestão do encontro foi do ex-ministro Gustavo Bebianno, que foi coordenador da campanha eleitoral de Bolsonaro em 2018, mas após romper com o presidente se filiou ao PSDB. Hoje, ele preside o diretório municipal tucano no Rio. Inicialmente, o encontro seria na casa do empresário Paulo Marinho, que também ajudou na campanha presidencial de Bolsonaro e se afastou após a eleição.

Bebianno nega que o encontro seja uma antecipação para 2022. "Ao contrário do presidente que queimou a largada e só olha para 2022 e gasta 90% da energia com isso quando deveria trabalhar os interesses da população hoje, São Paulo e Rio não vão cometer esse equívoco”, disse.

O ex-ministro disse que sugeriu o encontro pelas boas relações que tem com os dois governadores. “O Brasil está tão polarizado e o Governo Federal está conduzindo de forma tão equivocada, que eu acho que uma união entre os dois Estados pode ser muito boa não só para os dois Estados, como pode ter reflexo para outros Estados.”

Ex-aliados. Durante a eleição de 2018, Doria e Witzel se empenharam em conseguir o apoio público de Bolsonaro para suas candidaturas em São Paulo e no Rio, mas foram rejeitados. Na ocasião, Witzel só conseguiu o apoio público do senador Flávio Bolsonaro (sem partido), filho do presidente.  Enquanto Doria, apesar de usar informalmente o slogan “Bolsodoria”, tinha ao seu lado apenas aliados do então candidato à Presidência, como a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), hoje rompida com Bolsonaro.

No início do mandato, os dois governadores ainda se colocavam como aliados do presidente, mas se afastaram ao longo do ano. Witzel foi acusado por Bolsonaro de interferir nas investigações do assassinato da vereador Marielle Franco e do caso Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, acusado da prática de “rachadinha” no gabinete do filho do presidente na Alerj.

Ao Estado, há duas semanas, Bolsonaro atacou Doria, quando foi questionado sobre críticas do governador de São Paulo de que é populista. “Vamos falar de coisa séria? Nao vem me falar desse nome do governador de São Paulo para mim, não. Pergunte se ele sabe o que é Bolsodoria e se eu o autorizei a usar alguma vez na vida.”

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