NILTON FUKUDA/ESTADÃO
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Adversário da família Calheiros diz que Estado dificulta gestão

O prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), afirma que senador sempre 'pula do barco' quando não vê futuro político em um grupo; para Renan, divergências pontuais com oponentes ocorrem porque ele não se dá 'bem com governos que não ouvem'

Leonencio Nossa, ENVIADO ESPECIAL, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2017 | 05h00

MACEIÓ (AL) - Principal adversário da família Calheiros atualmente, o prefeito de Maceió, Rui Palmeira (PSDB), observa que o senador sempre “pula do barco” quando não vê futuro político em um grupo. “Renan é governo desde Cabral. Foi líder do Collor, mas na hora em que o barco afundou votou pelo impeachment. Estava com a Dilma, quando viu que não dava, se agarrou a Temer”, afirma. “Agora, já sente que Temer, com essas reformas impopulares, está sem força, então começa a olhar para frente”, completa. “Ele olha para 2018 e vê que a alternativa é abraçar Lula.”

Palmeira diz que, desde as eleições municipais no ano passado, Renan deixou de lado o estilo “esfinge” e “racional” para bater boca em rádio e cobrar empenho de vereadores para atacar a prefeitura. O prefeito reclama que o governo do Estado e o grupo do senador tentam dificultar sua gestão.

Palmeira diz ainda que Renan se acostumou a ser o “imperador” de Alagoas, mas sentiu o baque quando Temer nomeou o conterrâneo Maurício Quintella para a pasta dos Transportes. “Ele soube da nomeação pela imprensa. Antes, pela influência, costumava saber antes e aproveitava para telefonar para os indicados, como se tivesse dado aval à nomeação.”

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) afirmou, por meio de assessoria, que divergências pontuais com adversários ocorrem porque ele não se dá “bem com governos que não ouvem”.

Pobreza. Em último lugar no ranking brasileiro do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com 0,631 ponto, Alagoas apresenta extrema pobreza no interior e na capital. Em Maceió, o bairro Benedito Bentes, de 120 mil habitantes, e os corredores do Hospital Geral, apinhados de pacientes, são retratos de um Estado que tenta a médio prazo atrair recursos com os serviços, em especial o turismo. 

Alagoas está entre as seis piores economias do País, mas apresentou o terceiro maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014. Embora tenha uma das maiores dívidas, o Estado paga o funcionalismo em dia. O Supremo Tribunal Federal (STF) atendeu a pedido do governador para suspender o pagamento das parcelas da dívida com a União, o que garante R$ 60 milhões a mais por mês.

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