ADRIANO PILATTI

PROFESSOR DE DIREITO CONSTITUCIONAL DA PUC-RJ

O Estado de S. Paulo

13 Abril 2015 | 23h01

No confronto entre os mais conservadores e o governismo petista, os protestos seguirão servindo para manter o segundo acuado pela oposição e recuado nas pautas progressistas. Os atos perderam força, mas não acabarão.

O renovado esforço midiático para inflá-los nos diz que a rua se tornou estratégica para a direita. Ao mesmo tempo, Dilma tornou-se quase irrelevante: o poder se deslocou para o Congresso e também dentro do governo. O outsider Joaquim Levy e o Consulado Eduardo Cunha- Renan Calheiros, coadjuvados por Michel Temer, formam o quarteto que de fato governa, e com uma agenda regressista. Resta ver se a direita seguirá a monopolizar a rua ou se outros conseguirão reocupá-la para barrar o tsunami reacionário que mistura terceirização, maioridade penal, estatuto “da família”, autonomia do BC, arrocho salarial, securitário e creditício etc. 

Podemos esperar que os “de baixo” se deixem abater mansamente? Protestos moleculares continuam a se multiplicar nas periferias com outras pautas: violência policial, acesso a bens e serviços básicos etc, apesar do bloqueio midiático.

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