Adriano Pilatti

Professor de Direito Constitucional da PUC-RJ

O Estado de S. Paulo

17 de março de 2015 | 00h12

O 15 de março revelou preocupante capitalização de insatisfações, até legítimas, por organizações de direita, interessadas em desgastar o governo até inviabilizá-lo, ou em regressões mais graves. O mal estar com a corrupção e as mentiras eleitorais, ampliado pelos últimos escândalos e respectivo tratamento midiático, e a frustração pelas medidas econômicas, foram espertamente canalizados para atingir tão somente o governo federal e o PT. Também lá estavam setores golpistas e reacionários inconformados. Mas seria um erro tratar tudo isso como se fosse uma coisa só. A polarização entre “vermelhos” e “azuis” chegou ao seu paroxismo, mas não suprime o “terceiro setor”, os 37 milhões de eleitores que não votaram em Dilma ou Aécio. E também os que votaram, mas não foram às ruas por se sentirem traídos por um governo em que já não confiam, ou porque não quiseram servir de massa de manobra dos oposicionismos oportunistas. Aí está o “fiel da balança”, e talvez dele possam surgir, à esquerda e à direita, as forças de renovação e aprofundamento da democracia brasileira.

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