Adolescentes pobres têm mais filhos que as de classe média

Um estudo feito pelo economista Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostrou que a taxa de fecundidade entre adolescentes que vivem nas cinco maiores favelas do Rio é cinco vezes maior do que entre as que moram nos cinco bairro de renda mais alta da cidade. A taxa média de filhos por menina na faixa de 15 a 19 anos das favelas da Rocinha, da Maré, do Complexo do Alemão, do Jacarezinho e da Cidade de Deus, em Jacarepaguá, é de 0,266. Já a média dos bairros de Lagoa, Ipanema, Botafogo, Copacabana, e Tijuca é de 0,054 filhos por menina nessa mesma faixa.O economistra cruzou dados do Censo 2000 com os números de recém-nascidos nas regiões administrativas da prefeitura. "O resultado mostra que quanto mais pobre, maior é o número de filhos das mulheres. Isso acontece em todas as faixas de idade, mas foi mais forte entre as adolescentes", explica o pesquisador, para quem o estudo comprova que a taxa de fecundidade nas favelas está ligada à baixa renda, conseqüentemente, ao baixo nível de escolaridade.Ele cita como exemplos a Rocinha e a Barra da Tijuca, que ficam entre as zona sul e oeste da cidade. A favela, que tem um dos menores índices de escolaridade do Rio, tem taxa de fecundidade de 0,25 na faixa de 15 a 19 anos. Ao lado, os elegantes apartamentos voltados para o mar da Barra encerram uma taxa bem menor: 0,12. "Com mais filhos e menos recursos, a família não investe em educação e forma-se um círculo vicioso. Pobreza leva a fecundidade e fecundidade leva a pobreza", observa Néri. Para o economista, apesar de estarem expostas hoje a uma grande carga de informação sobre métodos anticoncepcionais, à influência da TV e à ação de programas sociais, a educação é que faz a diferença entre as meninas de comunidades carentes e às de classe média. "A renda acaba determinando a escolaridade, que faz diferença. Não é só o acesso à informação que deve ser levado em conta, mas a capacidade de formar opinião", disse.

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