Administração de Benedita já divide PT-RJ

A possibilidade de assumir o governo do Rio, em abril, com a provável desincompatibilização do governador Anthony Garotinho (PSB) para concorrer à sucessão presidencial, já divide o PT fluminense. Hoje, a Executiva regional do partido escolheu os 13 integrantes do Grupo de Trabalho (GT) que irá elaborar as linhas gerais de uma provável administração comandada pela vice-governadora Benedita da Silva, mas a corrente Refazendo, mais à esquerda, se recusou a indicar nome para o grupo."Nós acreditamos que Benedita da Silva, por sua postura passiva nesses três anos de governo Garotinho, representará um projeto de continuidade, por isso não indicamos um nome. Queremos manter a nossa independência, para, se necessário, criticar algumas ações dela frente ao Estado", afirmou Antônio Neiva, secretário de comunicação do diretório municipal do PT e um dos líderes da Refazendo, que reúne, entre outros, os deputados Milton Temer, Chico Alencar e o ex-deputado Vladimir Palmeira.Há duas semanas, Temer foi derrotado nas prévias do partido, que indicou Benedita, ligada à moderada Articulação, como candidata ao governo do Estado, em 2002. Na ocasião, o deputado afirmou que manteria uma posição de neutralidade diante de um governo Benedita, a partir de abril, e que não participaria de nenhuma campanha eleitoral para eleger a vice-governadora, em outubro, para o cargo ocupado atualmente por Garotinho.A maioria do Grupo de Trabalho é formada por integrantes da Articulação - dos 13 membros, cinco são ligados à tendência. A Benedita, que encabeça o grupo, coube indicar o coordenador-geral e mais dois assessores. O presidente regional do PT, Gilberto Palmares, que é da Articulação, também tem assento garantido no GT. As oito vagas restantes devem ser indicadas pelas demais chapas derrotadas na convenção regional do partido, realizada há um mês e meio. Por esse sistema, o Refazendo teria direito apenas a uma vaga, assim como as demais chapas minoritárias.Nem todos os integrantes da Refazendo, porém, concordam com a posição de independência assumida pela corrente. Chico Alencar, que, apesar de fechar ideologicamente com a tendência, coloca-se hoje como "um militante independente" e acha que o momento não é de divisão. "O eleitor não quer saber se A, B ou C é da corrente X, Y, ou Z. Para ele, é tudo PT. Neste momento, manter uma posição de independência é muito cômodo. O partido precisa estar unido", critica.O coordenador-geral do GT será o sociólogo Luiz Eduardo Soares, ex-coordenador de Segurança de Garotinho, que o demitiu pela televisão, há cerca de dois anos, depois de uma crise envolvendo o cineasta João Moreira Salles e o traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP.Soares, que está deixando o cargo de assessor especial de Segurança do governo de Olívio Dutra (PT), no Rio Grande do Sul, disse que está preocupado com as dificuldades orçamentárias que Garotinho poderá deixar para Benedita. "Temos que trabalhar com essa perspectiva", afirma.A primeira reunião do GT será no próximo dia 26, no gabinete da vice-governadora, no centro da cidade. Segundo Soares, o governo de Benedita deve romper com as tradições "populista" ou "conservadora-tecnocrática" que sempre se alternaram na história política do Rio."Nós vamos manter alguns programas, como o Restaurante Popular, mas teremos que revisar outros, de cunho mais clientelistas, como o cheque-cidadão ", afirma. A idéia do GT, segundo Soares, é abrir a discussão do programa de governo Benedita para a participação da entidades da sociedade civil organizada, como sindicatos, ONGs e universidades.

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