Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Admar Gonzaga vota pela absolvição da chapa Dilma-Temer

Ministro indicado pelo presidente destaca que não se pode afirmar que recursos da Petrobrás aportaram na campanha de 2014. A votação aponta 2 a 1 pela não-cassação

Isadora Peron, Eduardo Rodrigues e Thiago Faria, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2017 | 17h47

Brasília - Um dos ministros indicados pelo presidente Michel Temer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Admar Gonzaga votou contra o pedido de cassação do mandato do peemedebista.  Seu principal argumento foi o de que, apesar de haver provas sobre desvios e irregularidades envolvendo recursos irregulares da Petrobras para partidos políticos, não se pode afirmar "categoricamente" que estes recursos abasteceram a campanha eleitoral.

"Não se pode afirmar que recursos da Petrobrás aportaram na campanha de 2014. Vários delatores ouvidos não souberam afirmar se recursos foram usados na eleição de 2014", disse Admar, para quem não há "prova cabal" de que as doações eleitorais tiveram como origem os desvios de recursos da Petrobrás.

Assim como o ministro Napoleão Nunes Maia, ele defendeu a tese de que os depoimentos dos delatores da Odebrecht não deveriam ser considerados no processo.

Com base nisso, ele disse que não iria considerar em seu voto o que foi apurado a partir do dia 1º de março, quando o empresário Marcelo Odebrecht e casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura foram ouvidos pelo TSE.

 

O ministro afirmou ainda que os “fatos gravíssimos” revelados pelos delatores da empreiteira devem ser “analisados na esfera própria”, isto é, na esfera criminal, não eleitoral. "Espero que muitos dos que fizeram isso (receberam propina) sejam condenados, mas que sejam condenados nas instâncias próprias", disse.

Para Gonzaga, muitos  delatores não souberam dizer se recursos ilícitos foram usados na eleição de 2014, o que mostra que não há uma "prova cabal" de que a campanha tenha praticado abuso de poder político e econômico.

 

Ele destacou também que a ação inicial do PSDB não trazia temas como a movimentação de recursos no exterior que foram trazidos no voto do relator Herman Benjamin e afirmou que, apesar de agora o Ministério Público Eleitoral defender a cassação da chapa, o órgão não foi o responsável por mover uma ação impugnativa de mandato quando as eleições terminaram, em 2014.

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