Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Adiamento de julgamento no TSE agrada ao Planalto

Governo já tinha a expectativa da aceitação, pelo plenário do TSE, de mais cinco dias de prazo para as alegações finais

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 de abril de 2017 | 12h34

BRASÍLIA - A suspensão do julgamento da chapa Dilma Rousseff-Michel Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já era esperada pelo Palácio do Planalto e agradou ao presidente. A estratégia do governo é ganhar tempo para impedir que o desfecho do caso ocorra ainda neste ano.

Em conversas reservadas, auxiliares de Temer avaliam que, quanto mais tarde o processo for julgado, a hipótese de cassação do presidente fica mais difícil. O argumento no Planalto é de que ninguém vai querer tirar Temer às vésperas do fim de seu mandato, em 2018, porque pesaria na decisão dos magistrados a estabilidade política do País.

O governo já tinha a expectativa da aceitação, pelo plenário do TSE, de mais cinco dias de prazo para as alegações finais no processo. Se essa questão preliminar não fosse aceita, o Planalto dava com certo um pedido de vista do caso por parte de um ministro da Corte, o que significa mais tempo para análise.

A defesa de Temer não contava, porém, com a decisão do tribunal de ouvir outras testemunhas de acusação, como o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, o jornalista João Santana, marqueteiro da campanha de Dilma em 2014, a mulher dele, Mônica Moura, e André Santana. Mesmo assim, a decisão pode servir à estratégia dos advogados do presidente para esticar ainda mais o processo, uma vez que eles também vão solicitar novos depoimentos de testemunhas de defesa.

Às vésperas da quebra do sigilo das delações da Odebrecht pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF),  o Planalto também teme que um julgamento no TSE, neste momento, afugente investidores e prejudique votações importantes no Congresso, como a da reforma da Previdência.

Na prática, a retomada do julgamento somente deverá ocorrer com a nova composição do TSE, uma vez que o ministro Henrique Neves deixa o cargo no próximo dia 16 e será substituído por Admar Gonzaga. A cúpula do governo conta com o voto de Gonzaga para absolver Temer.

No Planalto, ninguém tem dúvidas de que o relator do processo no TSE, ministro Herman Benjamim, pedirá a cassação da chapa Dilma-Temer, sob o argumento de que houve abuso do poder político e econômico na campanha de 2014. Herman, porém, deixa a Corte em outubro e é possível que até lá não haja um veredicto definitivo sobre a ação. Mesmo tendo sofrido impeachment, a ex-presidente Dilma corre o risco de ficar inelegível.

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