Adiamento da audiência de Teixeira agradou ao Planalto

O cancelamento, ontem, do depoimento do advogado Roberto Teixeira à Comissão de Infra-Estrutura do Senado foi uma dupla vitória do Planalto. Na terça-feira, o governo monitorou o tempo todo Teixeira, que é compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e só aceitou que ele confirmasse presença na comissão quando ficou claro que o depoimento não se transformaria em uma sessão de acareação com os empresários Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo.Audi, Haftel e Gallo, que são os sócios brasileiros do fundo de investimentos norte-americano Matlin Patterson na Varig, comunicaram à Comissão de Infra-Estrutura, no início da noite de terça-feira, que não poderiam comparecer. A prioridade para eles era acompanhar um julgamento no Tribunal de Justiça de São Paulo. Na ausência dos empresários, o Planalto liberou Teixeira para depor, mas a oposição, ao pedir o cancelamento da sessão, tornou o clima político ainda mais confortável para o governo.A base aliada comemorou a atitude da oposição. Para o senador Delcídio Amaral (PT-MS), vice-presidente da Comissão, a atitude dos adversários acabou enterrando uma crise que, no diagnóstico oficial do governo, era artificial. ?Trata-se de uma briga de sócios, uma guerra comercial?, argumentou Delcídio. ?Depois do que ocorreu, dificilmente esse assunto retornará à pauta, com festa de São João e campanha eleitoral pela frente.?Ontem pela manhã, em uma reunião no Planalto, antes do início da sessão na Comissão de Infra-Estrutura, o presidente Lula demonstrou tranqüilidade diante da iminência do depoimento e teria dito, segundo um assessor que falou com o Estado: ?O Roberto gosta disso, do enfrentamento?.Apenas 2 dos 23 integrantes governistas da Comissão de Infra-Estrutura estavam presentes, os senadores Delcídio Amaral (PT-MT) e Renato Casagrande (PSB-ES). Cinco deles bastariam para derrubar o requerimento de adiamento, mas o que o Planalto queria mesmo era que, depois de evitar a sessão-acareação, nem mesmo o depoimento solitário do advogado fosse levado adiante. A oposição disse ontem que vai voltar a convocar Teixeira e os três empresários. A data ainda não foi marcada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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