Adesão de médicos de SP a boicote é de 53,84%

O primeiro balanço oficial do movimento dos médicos em São Paulo, divulgado hoje pelo Sindicato dos Médicos do Estado de São Paulo (Simesp), mostra que 53,84% dos profissionais aderiram ao boicote a sete seguradoras - SulAmérica, Unibanco, Porto Seguro, Marítima, AGF, Notre Dame e Bradesco. Foram entrevistados 546 profissionais. "O resultado é ótimo", avalia Clóvis Francisco Constantino, presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (CRM-SP). "Estou seguro de que será ainda mais positivo daqui uma semana e o próprio resultado da pesquisa servirá de incentivo para que isso aconteça", comentou ainda Constantino. A reportagem ligou hoje para 50 consultórios médicos da cidade, de 32 especialidades, para saber quantos haviam aderido ao boicote. O resultado foi diferente do apresentado na pesquisa oficial: apenas 12 deles afirmaram ter aderido ao movimento, o que representa 24% do total. O balanço do Simesp apresentou também os principais motivos dos 36,45% que não entraram no boicote: medo de represálias dos planos e o número restrito de operadoras envolvidas no boicote. Ou seja, há médicos que temem o descredenciamento e também os que pedem a inclusão de outros planos no movimento em São Paulo, além das seguradoras. O neurocirurgião Cid Carvalhaes, diretor do departamento jurídico do sindicato, afirmou ter sido descredenciado hoje pela SulAmérica. "Ligaram para meu consultório perguntando se eu havia ou não aderido ao movimento", conta ele. "Disse que sim e eles simplesmente falaram que estavam retirando meu nome da lista dos profissionais credenciados para não haver problemas com os usuários da seguradora". Etapas - A pesquisa do Simesp também revelou em percentual quais são as seguradoras que mais têm médicos credenciados. A SulAmérica é a campeã: 66,12% dos médicos trabalham com ela. A Marítima ficou em segundo lugar, com 54 76%. Em terceiro está a Porto Seguro, com 44,14%. Depois, vieram Unibanco (42,49%), Bradesco (39,47%), AGF (31,14%) e Notre Dame (23,08%). Apenas na capital paulista, segundo a Associação Paulista de Medicina, há 39 mil médicos em atividade. Desses, 26 mil atendem em consultórios e clínicas. O trabalho do sindicato foi dividido em etapas. Primeiro foram enviadas cartas com questionários aos 546 profissionais entre os dias 27 e 30 de julho. A partir do primeiro dia do boicote (dia 30), 70% enviaram suas respostas por e-mail ou fax. O restante foi entrevistado por telefone, na segunda-feira. Até então, o sindicato se identificava para os entrevistados. Nos três dias seguintes, isto é, de terça a quinta-feira desta semana, o Simesp ligou para todos novamente, mas sem se identificar. Não há data exata para a divulgação de um segundo balanço. A promessa é que ele saia antes da próxima assembléia dos médicos paulistanos, marcada para o dia 17, às 20 horas. "Espero que além da adesão chegar a pelo menos 70%, alguma seguradora nos procure até lá", diz Clóvis.

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