Adauto consegue retomar cargo

Liminar que afastava prefeito reeleito de Uberaba é revogada; decisão também beneficia secretário de Governo

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

06 de novembro de 2008 | 00h00

A juíza Régia Ferreira de Lima revogou a liminar concedida anteontem pela Justiça que determinava o afastamento do prefeito reeleito de Uberaba, Anderson Adauto, do cargo. A decisão foi dada ontem a pedido da defesa de Adauto. Ela entrou com um pedido de reconsideração da decisão tomada pelo juiz Lênin Ignachitti na ação civil pública movida pela promotoria de Defesa do Patrimônio Público, que questiona a legalidade do contrato de R$ 15 milhões assinado pelo município com a empresa Home Care Medical.O contrato, assinado em 2006, está suspenso desde outubro de 2007 por ordem judicial. Antes que ocorresse, a Home Care recebeu R$ 5 milhões da prefeitura para fornecer medicamentos e a administrar as farmácias e o almoxarifado da Secretaria da Saúde de Uberaba. Além de Adauto, a decisão da juíza beneficia o secretário de Governo do município, João Franco Junior, e a funcionária Vera Lúcia Silveira Abdalla.A assessoria de Adauto informou ontem a que a prefeitura havia buscado no contrato com a Home Care a solução de um antigo problema: a falta constante de remédios. A contratação da empresa teria sido legal. Em 2007, a prefeitura assinou um acordo na Justiça, que teria resolvido o problema.Por meio de nota, a assessoria do prefeito informou ainda que ele determinou a apuração de denúncia de superfaturamento em 2007. "A decisão judicial de acatar integralmente o pedido de liminar proposto pelo Ministério Público já nos era esperada diante do histórico do juiz Lênin Ignachitti a respeito de minha pessoa e de nosso governo, principalmente, após a sua mulher ter perdido o cargo de confiança que ocupava na administração municipal".O Estado procurou o juiz no fórum no começo da noite, mas não conseguiu encontrá-lo.REUNIÃONa tarde de ontem, o promotor José Carlos Fernandes Júnior, autor da ação em Uberaba, reuniu-se em São Paulo com o promotor José Reinaldo Guimarães, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).O Gaeco participou da força-tarefa responsável pela deflagração na semana passada da Operação Parasitas, que levou à prisão cinco acusados de compor o núcleo empresarial do grupo, entre eles os sócios da Home Care. Em São Paulo, 11 empresas são investigadas sob a suspeita de fraude em licitações de hospitais públicos e em 29 municípios.

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