Adams nega que esteja demissionário

O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, disse nesta quarta-feira (5) que a Advocacia Geral da União (AGU) está adotando um conjunto de medidas para corrigir possíveis distorções que levaram à demissão do número dois do órgão José Weber Holanda, envolvido em denúncias da Operação Porto Seguro, que desmantelou um esquema de venda de pareceres fraudulentos. "Estamos realizando um pente fino rigoroso em todos os atos realizados. Tomamos hoje uma série de medidas para regular a relação com os outros órgãos do governo, para regular as nossas relações internas e otimizar o funcionamento da comissão de ética pública", disse Adams, ao chegar para a audiência pública no Senado, na qual será ouvido, juntamente com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, sobre a Operação Porto Seguro.

VANNILDO MENDES, Agência Estado

05 de dezembro de 2012 | 15h57

Segundo ele, o conjunto de medidas coloca um "caminho certo para a AGU continuar desempenhando seu papel". Adams negou que esteja demissionário e que tenha perdido a confiança da presidente Dilma Rousseff. "Não sou porta-voz do sindicalismo e não me sinto atingido por manifestações desse tipo (contra sua permanência no cargo). Não cria espécie esse tipo de movimentação. O que existe é que, do ponto de vista institucional, o funcionamento da AGU está garantido", afirmou, destacando que o importante agora é mostrar que tem capacidade de reagir às situações. "Mostrar para a sociedade e o Congresso que a AGU é uma instituição firme. Desvios acontecem, infelizmente, como em vários lugares, mas são identificados, corrigidos e vão ser punidos conforme a lei", completou.

Questionado se teria se arrependido de ter levado José Weber para a função de adjunto na AGU, Adams disse que a escolha foi técnica. "Eu levei um técnico, uma pessoa que acreditava que cumpria uma função, tinha uma trajetória técnica. É uma pessoa que vinha trabalhando em altas funções do governo desde 2001." Ele disse ter acreditado que Weber poderia cumprir a função. "Infelizmente, ele quebrou a confiança. Quebrar confiança é algo não se recompõe. E o principal é corrigir. Qualquer instituição, em qualquer lugar do mundo vive com esse dilema de desvio de conduta por parte de servidores. O que é fundamental é ter capacidade de reagir a isso, identificar as falhas, corrigi-las e evitar que aconteçam no futuro. É o que estamos fazendo", disse.

Adams disse ainda que é preciso agir de maneira institucional, cumprindo a principal determinação da presidente, que é de corrigir malfeitos e práticas de desvios. "A confiança da presidente sempre foi na minha competência técnica e isso permanece, não muda", enfatizou, destacando que não vê o desgaste que está se levantando em torno do caso. "A atuação da AGU está sendo firme para resolver os problemas", completou.

O advogado-geral da União afirmou que, durante a audiência pública no Senado vai esclarecer o que o órgão conseguiu levantar até o momento. "Relatar o que nós tomamos como novas práticas na instituição, na comissão de ética, na regulamentação do relacionamento com demais órgãos. E procurar estruturar a instituição a lidar com essas situações. É isso que eu quero mostrar", disse.

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