Acusar Thomaz Bastos é passar da conta, diz Ciro Gomes

O ex-ministro da Integração Nacional Ciro Gomes afirmou nesta segunda-feira, no Palácio do Planalto, que querer envolver o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, no episódio de violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, é "passar totalmente da conta". "Não tem nada disso", afirmou Ciro, acrescentando que considera natural o fato de o secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, subordinado a Thomaz Bastos, ter ido à casa de Palocci."O ministro da Fazenda chama um secretário da área econômica para ir à casa dele e ele não vai?", questionou Ciro Gomes. Ele afirmou categoricamente não acreditar em envolvimento do ministro da Justiça no episódio da violação do sigilo. "Pelo amor de Deus, o Márcio tem uma história", exclamou Ciro. O ex-ministro disse que está preocupado com o que tem acontecido no processo político no País. Segundo Ciro, a oposição estaria usando "jab" (golpe da luta de box) para atacar seus adversários. De acordo com o ex-ministro, esse processo, ao ser usado pela oposição, está tendo respostas dos governistas. Ciro disse entender que isso representa um risco para a democracia, porque acaba criando na população uma percepção de que toda a classe política seria feita de "bandidos". "A gente vê políticos esculhambando o STF (Supremo Tribunal Federal), esculhambando o Congresso, vê um processo de decomposição do Executivo, a oposição atacando a situação na questão da moral, a situação atacando a oposição na questão da moral, e o que ocorre é um processo de descrença nas instituições políticas", afirmou Ciro. A sorte do País, segundo o ex-ministro, é que não há nenhuma fração de poder antidemocrática que tenha força real para ocupar o vácuo político que está-se criando. Perguntado sobre a possibilidade de Lula ter agido de forma inapropriada no episódio da violação do sigilo do caseiro, Ciro respondeu: "Absolutamente não."

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