Acusados por fraudes na Petrobras tinham ´teia de empresas´

Para PF e procuradores, máfia usava sociedades fantasmas para emitir notas frias

Wilson Tosta e Marcelo Auler, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2007 | 13h55

Endereços em comum, sócios compartilhados e constante rodízio entre si caracterizam a "teia de empresas" identificada como pertencente aos acusados de envolvimento em fraudes contra a Petrobras, revelados na Operação Águas Profundas, da Polícia Federal. 

Levantamento feito pela deputada estadual fluminense Cidinha Campos (PDT) na Junta Comercial do Rio mostra que algumas relações societárias são mais antigas e as atividades econômicas principais são díspares - da engenharia à representação comercial.

Para a PF e o Ministério Público Federal, os acusados usavam sociedades fantasmas para lidar com o dinheiro desviado da Petrobras, emitindo notas fiscais frias e sonegando impostos. Segundo a Petrobras, que realiza auditoria interna, a máfia dos estaleiros promovia fraudes em licitações da estatal há pelo menos quatro anos. 

Exemplo da rede de empresas se refere à Angraporto Offshore Logística Ltda., que o Ministério Público acusa de ser a operadora das fraudes e de vazamentos de informações sigilosas. Pelo menos três de seus sócios aparecem como sócios de outras empresas: Fernando Stérea, Mauro Zamprogno e Wladimir Pereira Gomes.

Uma das empresas é a Vista Linda Participações, que tem de sócios Stérea, Zamprogno e a Ventos Consultoria Portuária - controlada por Gomes, segundo o MP. No lugar em que funciona a Vista fica a Fox Participações e Negócios, cujos sócios são Vladimir Aparecido Raposo e Ruy Castanheira de Souza. 

Castanheira também é sócio de Stérea na Coferco Log, em Rio Bonito (RJ). "Nesse endereço a PF realizou diligências, constatando que a empresa não funciona no local, revelando sua existência apenas no plano formal", diz o procurador Carlos Aguiar na denúncia à Justiça. 

A Coferco Log foi convidada pela Petrobrás para participar de licitação com a Angraporto, para estadia e apoio da Plataforma P-22. A concorrência foi vencida pela Angraporto.

Outro endereço abriga mais de uma firma. Na Rua João Atanasio de Mendonça, 15, loja 2, parte, também em Rio Bonito, ficam a Coferco Comércio Exterior e Representações - de Stérea e Castanheira - e a Ventos Consultoria Portuária.

Também chamam a atenção as movimentações e trocas de sócios nas empresas, algumas no espaço de poucos meses. Pela Coferco Log passou Felipe Pereira das Neves Castanheira de Souza, filho de Ruy Castanheira, que entrou com capital de R$ 1 em 1º de junho de 1999 e saiu em 14 de março de 2002, ao passar sua participação ao pai.

Na Intecdat Serviços Técnicos, acusada de simular serviços para a Angraporto, para justificar a emissão de notas frias que viabilizavam desvios e sonegação, as trocas foram mais rápidas. A sócia Nilda Geralda Mafort Diniz entrou em 31 de agosto de 2004, saiu em 14 de junho de 2005, voltou em 29 de novembro de 2006 e saiu em 6 de dezembro de 2006, quando repassou suas cotas, no valor de R$ 15 mil, para Wilson Ribeiro Diniz, que teve prisão decretada.

Diniz já passara pela empresa antes, entre 31 de agosto de 2004 e 29 de novembro de 2005. Nilda Geralda também fez parte da Max Express Representações, onde entrou como sócia em 31 de janeiro de 2005 e saiu em 14 de agosto de 2006. Outro sócio, Luiz Carlos Mafort, ficou de 14 de agosto a 6 de dezembro de 2006.

Há empresas criadas muito antes das fraudes reveladas pela Operação Águas Profundas, que teriam começado em 2003. A Coferco Log é de 1999. A Petruscar Locadora de Veículos, que teve Wilson Diniz entre seus sócios, começou as atividades em 3 de abril de 1997. 

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