Acusados não poupam críticas ao relator da CPI dos Correios

Ex-ministros e dirigentes petistas reagiram indignados aos pedidos de indiciamento apresentados pelo relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR). Não há base técnica e jurídica, argumentaram.O chefe do Núcleo de Assuntos Estratégicos do governo, Luiz Gushiken, classificou o relatório como ?julgamento inteiramente injusto, despropositado e sem fundamentação?. Ele distribuiu nota assim que teve o nome citado por corrupção ativa e tráfico de influência. "Lamento que o relator tenha capitulado à lógica do espetáculo, sem olhar para os fatos, o que compromete o esforço da CPI de aperfeiçoamento das estruturas políticas e da vida pública?, disse Gushiken na nota, divulgada com um texto anexo, intitulado ?Fatos e Verdades?.Já o advogado do ex-ministro José Dirceu, José Luiz de Oliveira Lima, avaliou o relatório como ?peça fictícia?. ?Não posso comentar ponto a ponto porque ainda não tive acesso ao relatório. Mas conheço os fatos e o processo e não tenho dúvida de que é fruto da mente criativa do relator?, declarou. Dirceu foi acusado de corrupção ativa.?O relator exagerou?, reagiu Luiz Fernando Pacheco, advogado do ex-presidente do PT José Genoino. ?O indiciamento não tem base técnica?, declarou. Genoino foi acusado por crimes eleitorais, de falsidade ideológica e corrupção ativa. O ex-presidente do PT está na Espanha, onde foi assistir ao casamento da filha, no dia 25.Arnaldo Malheiros Filhos, advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-secretário-geral Silvio Pereira, disse que eles não se pronunciariam. Delúbio foi acusado de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro, crime eleitoral, corrupção ativa e peculato; Pereira, por tráfico de influência.O advogado Tales Castelo Branco, que representa o publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, não respondeu às ligações. A assessoria do grupo Pão de Açúcar, onde Cássio Casseb ex-presidente do Banco do Brasil é agora diretor-presidente, também não retornou as ligações.BancosAcusado no relatório de montar uma ?farsa? nos empréstimos feitos ao PT, o Banco Rural saiu ontem em defesa das operações. A direção do banco informou que ?todos os empréstimos concedidos, seja para o PT ou para as empresas do empresário Marcos Valério, cumpriram as normas do Banco Central. Por meio de nota, a instituição sustenta que os empréstimos ?constam da contabilidade do banco e foram informados aos órgãos reguladores?.De acordo com o relatório, o banco usou uma ?mera formalidade contábil e financeira" para ?mascarar? a origem dos recursos repassados a Valério e ao PT. O Rural informou que ?não concorda com a conclusão apontada pelo relatório?. A instituição também negou que Oto Diniz Amorim, indiciado por fraude na administração de sociedade por ações, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, tenha sido diretor da instituição.Já a direção do BMG, também credor do PT e de Marcos Valério, não quis se manifestar. O relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR) pediu o indiciamento do proprietário da instituição, Ricardo Guimarães, por crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e fraude na administração de sociedade por ações. Serraglio cita outros dois diretores do BMG por falsidade ideológica e lavagem de dinheiro: José Otávio de Carvalho Lopes e Janaína Pereira.FundosPresidentes dos maiores fundos de pensão do País, Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal) e Petros (Petrobras), negaram ontem ter promovido operações fraudulentas e repudiaram as conclusões da CPI dos Correios. Serraglio pediu o indiciamento de um diretor do Funcef, Demóstenes Marques, e solicitou ao Ministério Público que investigue atos praticados pela Previ e pela Petros.?Só posso entender que há motivação política menor por trás do indiciamento de nosso diretor Demóstenes Marques?, afirmou o presidente do Funcef, Guilherme de Lacerda. Marques é citado por causa de aplicações realizadas com o Banco Santos. ?O sub-relator da CPI para fundos de pensão, Antonio Carlos Magalhães Neto, fez elogios consistentes à atuação da Funcef.? As conclusões da CPI são incoerentes, disse Lacerda.?Todas as operações da Petros com o BMG e o Rural obedeceram critérios técnicos e nos últimos cinco anos nunca perdemos dinheiro?, afirmou Wagner Pinheiro, presidente da Petros. De acordo com o presidente da Previ, Sérgio Rosa, a conclusão das investigações, mesmo que pelo Ministério Público, irá comprovar que não houve uso político ou irregular dos fundos de pensão.Ao todo, Serraglio recomendou o indiciamento de dirigentes de 10 fundos. Por meio de sua assessoria, o presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), Fernando Pimentel, informou: ?A apuração ficará a cargo do Ministério Público e o indiciamento dos fundos dará a eles o direito de defesa. Só a partir daí se poderá saber se as acusações têm fundamento?.

Agencia Estado,

29 de março de 2006 | 21h22

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