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Acusados em editorial de jornal inglês, Brasil e Índia protestam

O governo do Brasil reagiu de forma enérgica contra um editorial publicado nesta sexta-feira pelo jornal britânico Financial Times e, em conjunto com a Índia, enviou uma resposta ao diário, que pretende que seja publicada nos próximos dias. Segundo o editorial, os dois países estariam tentando um acordo sobre remédios na Organização Mundial do Comércio (OMC) para se beneficiarem como exportadores de remédios genéricos e não para resolver o problema de acesso a remédios no mundo."Como líderes na produção de genéricos, eles (Brasil e Índia) parecem estar motivados mais pela esperança de ganhos comerciais do que pela compaixão", afirmou o jornal. As negociações sobre o acesso aos remédios mais baratos para os países pobres foram lançadas em novembro de 2001, em Doha, e deveriam ter sido concluídas no último dia 31.Mas diante da exigência dos Estados Unidos de incluir apenas algumas doenças entre aquelas que seriam beneficiadas pelo acordo, a negociação fracassou e os países em desenvolvimento continuam sem acesso aos remédios. Em resposta ao comentário do jornal, os embaixadores brasileiro e indiano na OMC, Luiz Felipe de Seixas Correa e K.M. Chandrasekhar, afirmaram na carta enviada à redação do Financial Times que estão "profundamente preocupados" com a forma que foi escolhida para enquadrar as intenções dos dois países e que o ponto de vista do jornal era uma "paródia da verdade"."Brasil e Índia não foram guiados por outro desejo senão o de contribuir para a elaboração de uma solução que pudesse efetivamente lidar com os problemas de saúde pública que estão na Declaração de Doha", afirma o protesto, o primeiro deste tipo feito pela diplomacia brasileira desde que as negociações foram iniciadas.Para os embaixadores dos dois países, são os países que tentam colocar restrições no acordo os que foram "puramente guiados por considerações comerciais". "Esses países dão a impressão de colocar o direito de patente acima do direito à vida", afirma a carta.O jornal ainda diz que o impasse nas negociações criado pelas limitações exigidas pelos Estados Unidos foram "intencionalmente atiçadas pelo Brasil e Índia, que querem o direito de romper patentes para doenças não-infecciosas como obesidade e asma".Para o Brasil, a alegação do jornal é infundada. Segundo o artigo, o fracasso das negociações e, portanto, de um acordo sobre remédios, não vai gerar mais mortes pelo mundo. Para o jornal, mesmo com um entendimento, o impacto de um acordo para as populações seria "mínimo"."Problemas crônicos de saúde não podem ser resolvidos na OMC. Esse é um assunto para agência de ajuda, e não para negociadores comerciais", diz o jornal. A próxima reunião para tratar do assunto acontece no dia 10 de janeiro, na sede da OMC em Genebra. Há pouca esperança, porém, de que um acordo seja concluído nesta data.

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