Acusados de matar casal de extrativistas no PA vão a júri nesta 4ª

Casal foi assassinado a tiros em maio de 2011 dentro de reserva ambiental; eles costumavam denuciar madeireiros ilegais

Efe,

02 Abril 2013 | 17h10

A expectativa da Justiça Estadual é que o julgamento de José Rodrigues Moreira, Lindonjonson Silva Rocha e Alberto Lopes do Nascimento seja concluído em dois dias. Devido à grande repercussão do caso e à expectativa de que muitas pessoas queiram acompanhar o júri - inclusive de observadores de ONGs internacionais -, o juiz responsável pelo caso, Murilo Lemos Simão, pediu que o policiamento fosse reforçado.

"A mensagem é muito clara: é realmente necessário frear essa violência", afirmou hoje em entrevista coletiva a ex-congressista sueca Marianne Andersson, integrante do Conselho Diretor da Fundação Right Livelihood Award, conhecida como o "Prêmio Nobel Alternativo".

O casal de trabalhadores rurais foi assassinado a tiros no dia 24 de maio de 2011 dentro do Projeto Agroextrativista Praialta-Piranheira, uma reserva ambiental amazônica próxima a Marabá, onde trabalhava na extração da castanha há 20 anos.

Segundo familiares e amigos próximos, o casal recebia ameaças desde 2009 por suas recorrentes denúncias contra madeireiros interessados em invadir a reserva, onde 500 famílias viviam em aproximadamente 22 mil hectares.

O casal em questão também coordenava o Conselho Nacional de Povoações Extrativistas, uma ONG fundada pelo líder ecologista Francisco "Chico" Mendes, cujo assassinato em 1988 teve uma grande repercussão mundial.

A região onde se encontra a reserva, próxima a Marabá, é palco contínuo de conflitos entre pequenos agricultores e madeireiros, assim como entre fazendeiros e camponeses, pela disputa por terras e pela preservação da Amazônia.

Organizações de camponeses que acompanharão o julgamento em frente ao Fórum de Marabá para apoiar os familiares e amigos do casal assassinado fizeram questão de denunciar a frágil situação dos camponeses no Pará.

O representante do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Tito Moura, declarou que quer "que a sociedade saiba o que está acontecendo com os trabalhadores do campo no sul dessa região".

"Debates que ocorrem nesta região devem abordar a impunidade, a violência no campo, a reforma agrária e a defesa do meio ambiente. Estaremos em vigília pela memória de nossos companheiros e pela luta por justiça", expressou Rose Lima, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT), organização vinculada à Igreja Católica.

No mesmo ato, a irmã de José Claudio, Claudelice, denunciou a passividade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que, segundo ela, "sabia de tudo o que ocorria neste assentamento e não fez nada". "Não fizeram nada, até o ponto de matarem meu irmão e minha cunhada", finalizou a irmã do trabalhador rural assassinado.

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