Acusado pede perdão a familiares de índio pataxó

Tomás de Oliveira, um dos cinco autores confessos do assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, está sendo interrogado no Tribunal do Júri em que o caso está sendo julgado. Em seu depoimento, ele usou praticamente as mesmas palavras que outro acusado, Max Rogério Alves, utilizara momentos antes. Com voz embargada, Tomás confirmou ter participado do crime, mas disse que a intenção de seus autores era só dar um susto no índio, como se fosse uma "pegadinha", não de matá-lo. Ele relatou que, ao acenderem um fósforo para incendiar a coberta que cobria Galdino, o fogo subiu para a garrafa e ocorreu uma pequena explosão. O fogo tomou conta do índio e, assustados, os jovens correram. Tomás fez questão de pedir desculpas aos familiares do pataxó e às demais pessoas que sofreram com o crime. "Deixou de ser uma brincadeira a partir do momento em que o fogo subiu", afirmou. "Para mim, é muito difícil aceitar. Vou carregar isto para o resto da vida. Causei muito sofrimento a muitas pessoas. Sei o que é isso. Perdi meu pai de maneira brusca, também. Queria pedir perdão. A gente não teve consciência de que o nosso ato poderia causar aquilo. Eu queria pedir que eles analisassem a gente, não como inimigo". Familiares de Tomás, presentes ao julgamento, e também Max Rogério Alves choraram diversas vezes, ao longo do interrogatório.

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