Acusado no mensalão mineiro renuncia

Clésio Andrade alega problemas de saúde e deixa o Senado; última ação do caso que ainda tramitava no STF irá para 1ª instância

Ricardo Brito e Marcelo Portela, Agência Estado

15 de julho de 2014 | 16h17

Atualizado às 22h15 - Brasília - Acusado em processo do mensalão mineiro, Clésio Andrade (PMDB) renunciou nesta terça-feira, 15, ao mandato de senador alegando problemas de saúde. Com isso, a ação que o acusa de integrar um esquema de desvio de dinheiro público para abastecer a campanha eleitoral tucana em Minas de 1998 deve ser remetida do Supremo Tribunal Federal para a primeira instância da Justiça.

Com a transferência do caso de Clésio para os tribunais estaduais, o Supremo, que condenou 25 acusados de integrar o mensalão federal, esquema petista no governo federal, não vai julgar nenhum processo criminal envolvendo o caso do PSDB.

Clésio respondia ao processo na Justiça mineira com 13 outros réus, incluindo o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza e seus ex-sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, já condenados por participação no mensalão federal.

Mas, em 2011, o peemedebista assumiu no Senador a vaga de Eliseu Resende (DEM-MG), morto em 2 de janeiro daquele ano, e a ação foi desmembrada por conta do foro privilegiado do acusado. “Agora o processo certamente voltará à Justiça estadual. Ele vai perder o foro, como o Azeredo”, afirmou o promotor responsável pela acusação dos réus no Fórum Lafayette, João Medeiros, referindo-se ao ex-deputado federal Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Quando o Supremo deu sinais de que poderia julgar a ação de Azeredo no início do ano, ele renunciou ao mandato na Câmara dos Deputados. Com isso, o Supremo determinou que o processo contra ele fosse remetido para a Justiça mineira.

No STF, os advogados de Clésio – que é acusado de peculato e lavagem de dinheiro – tentaram trocar testemunhas já arroladas no processo, alegando inclusive que uma das pessoas que queria incluir na ação seria “a que mais pode colaborar para a elucidação dos fatos”.

O Estado tentou falar com o advogado de Clésio, Flávio Boson, mas ele não foi encontrado em seu escritório.

Vice. Segundo a acusação, o esquema, também conhecido como valerioduto tucano justamente por causa do envolvimento de Marcos Valério no caso, consistiu em desvio de recursos de estatais mineiras para financiar a campanha pela reeleição de Azeredo para o governo de Minas em 1998, com Clésio como candidato a vice.

O peemedebista também já foi vice-governador no primeiro mandato de Aécio Neves como governador de Minas de 2003 a 2006. Hoje senador, Aécio disputa a Presidência neste ano.

Dois acusados, o ex-ministro Walfrido dos Mares Guia e Cláudio Mourão, foram excluídos da ação porque completaram 70 anos e os crimes pelos quais eram acusados prescreveram.

Carta. A renúncia de Clésio foi lida nesta terça pelo senador Jorge Viana (PT-AC), O texto afirma que a decisão foi tomada por “motivo de acometimento de problema de saúde”, o que o levará a tratamentos médicos que vão se estender pelo restante do mandato dele. “Não optei por licença, uma vez que considero prejuízo ao Erário público o recebimento sem o respectivo desempenho das funções e para ser coerente com a austeridade que imprimi durante todo o meu mandato de Senador com relação às verbas de representação e gastos com o Gabinete”, afirmou Clésio.

O peemedebista agradeceu ao povo mineiro e aos senadores com a “certeza do dever cumprido” e menciona que vai assumir o restante do mandato, que se encerra no início de 2015, Aureliano Chaves Filho, filho de Aureliano Chaves, vice de João Figueiredo (1979-85).

Clésio disse que pretende voltar a a suas atividades profissionais tão logo sua saúde permita. Em abril, ele se licenciou do comando da Confederação Nacional dos Transportes.

Além do mensalão mineiro, o agora ex-senador peemedebista é alvo de outros inquéritos que também devem ser remetidos para a primeira instância. 

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