Acusado, filho da governadora do RN permanece preso

Lauro Maia é acusado de participar de quadrilha que fraudava licitações na Secretaria de Saúde do RN

Everton Dantas, de O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2008 | 18h08

O filho da governadora do Rio Grande do Norte, advogado Lauro Maia, prestou depoimento no domingo na sede da Polícia Federal no Rio Grande do Norte, mas ainda não foi liberado e deve permanecer detido. No domingo, novamente, o advogado Erick Pereira entrou com pedido de habeas-corpus sem expectativa de julgamento favorável. Lauro Maia está preso desde sexta-feira, quando a Polícia Federal prendeu 13 pessoas e cumpriu 42 mandados de prisão da  Operação Higia e que tem como objetivo desmascarar uma quadrilha que fraudava licitações na Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte. O prejuízo causado pelo esquema é estimado em R$ 36 milhões.  Durante a convenção estadual de seu partido, a governadora Wilma de Faria falou pela primeira vez sobre a prisão do filho e os problemas em seu governo. "Inicialmente eu queria me colocar como chefe do Executivo estadual. A primeira coisa que eu determinei foi que todos os meus secretários de Saúde, desde a época da investigação tanto Ruy Pereira quanto Adelmaro Cavalcanti (atual) façam uma coletiva para a imprensa explicando tudo que aconteceu com relação a esses contratos de limpeza. Eles vão naturalmente falar a respeito das licitações dos preços e de tudo mais que for necessário a esclarecer", anunciou. Quanto à prisão de seu filho, a governadora classificou o ato como de "muita violência". E justificou: "Com relação a meu filho, eu achei que houve um ato de muita violência porque meu filho tem endereço certo. As pessoas que estão ali têm endereço certo e poderiam ter sido chamadas a depor sem nenhum problema. E eu espero, como mãe e cidadã, a sua inocência". Perguntada se ela considerava um exagero a prisão, a governadora negou-se a dar novas declarações sobre o assunto.  A prisão do filho Lauro Maia não veio em bom momento. Wilma de Faria enfrenta uma grande crise política dentro de seu partido desde que o deputado federal Rogério Marinho negou-se a aceitar a aliança que a governadora firmou com o PMDB do presidente do Congresso Nacional, senador Garibaldi Alves Filho; e o PT, do presidente Lula. Tudo para apoiar a deputada Fátima Bezerra (PT) como candidata à Prefeitura de Natal. Há mais de um mês Rogério Marinho mantém uma candidatura dissidente e ameaça a liderança da governadora. Hoje, na convenção do partido (cuja apuração ainda está ocorrendo), 1.049 filiados decidem se quem tem razão é Wilma de Faria ou Rogério Marinho. Ele tem chances de vencer. Sexta-feira passada, Wilma de Faria trabalhava para derrotar o ex-aliado. A prisão de Lauro Maia desviou a governadora desse objetivo; e a enfraqueceu para a batalha desta segunda-feira. Se ela perder, Marinho será o candidato.  Operação Higia Dos 13 presos sexta-feira passada pela operação Higia, quatro foram liberados após prestar depoimento: a ex-candidata à vereadora de Natal, Jane Alves de Oliveira; Anderson Miguel da Silva, da empresa AIG; o servidor da Procuradoria Geral do Estado, Francenildo Rodrigues Castro; e o funcionário público Marco Antônio França de Oliveira. Permanecem detidos, além do filho da governadora Wilma de Faria, o empresário Mauro Bezerra; o funcionário da empresa Líder, Luciano de Souza; a mulher do secretário de Segurança Pública do Estado, Maria Eleonora Lopes de Albuquerque Castim (diretora financeira da Secretaria de Saúde); a procuradora estadual Rosa Maria de Apresentação Figueiredo caldas Câmara; o secretário-adjunto de Esportes, João Henrique Alves Lins Bahia; o empresário do grupo Emvipol, Hebert Florentino Gabriel; Francisco Alves de Souza; e Ulisses Fernandes de Barros.  No domingo o Governo do Estado emitiu nova nota oficial negando veementemente as informações de que R$ 35,9 mil relativos a propina teriam sido repassados a Lauro Maia dentro da residência oficial da governadora. Quem teria supostamente levado o dinheiro é o secretário-adjunto de esportes, João Henrique Lins Bahia. A investigação que provocou a operação Higia começou em 2005 e pretende desarticular uma quadrilha responsável por desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações.

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