Acusado em fraude nos Correios volta à prisão

Empresário acusado de encabeçar quadrilha é preso em Recife junto com o cúmplice

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

14 de agosto de 2007 | 22h15

Apenas três dias após ser solto, o empresário Arthur Wascheck Neto voltou para a prisão, por ordem da Justiça Federal. Apontado como cabeça da quadrilha especializada em fraudar licitações na Empresa de Correios e Telégrafos, Wascheck havia sido libertado na quarta-feira passada, mas no fim de semana foi recapturado pela Polícia Federal, em Recife. A quadrilha foi desmantelada pela Operação Selo. Também por ordem judicial, foi recapturado o lobista Marco Antônio Bulhões, acusado de ser cúmplice de Wascheck nas fraudes para obtenção de contratos milionários na estatal.Desencadeada no início do mês, a operação prendeu cinco pessoas, entre as quais dois funcionários de postos estratégicos da estatal, que auxiliavam a quadrilha com informações privilegiadas e direcionamento dos editais. Todos foram soltos após cinco dias de prisão temporária, mas o Ministério Público entendeu que a libertação de Wascheck, a seu um ver um lobista corruptor, poderia prejudicar as investigações de outras quadrilhas que continuariam atuando na estatal.Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Os prejuízos aos cofres públicos até agora apurados são da ordem de R$ 180 milhões. A quadrilha desmantelada pela operação, segundo o Ministério Público, havia sucedido outra, investigada em 2005 com a prisão do chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da ECT, Maurício Marinho, flagrado em fita de vídeo quando embolsava R$ 3 mil de propina de um grupo de fornecedores da estatal. Quem armou a gravação da fita foi o próprio Wascheck, que tomou o lugar da quadrilha desbaratada. Para o procurador Bruno Acioli, o que houve foi a substituição das pessoas alijadas do esquema na época de Marinho. Wascheck é velho conhecido da polícia desde a década de 90 e já teve sua prisão pedida em outras investigações. Conforme a PF, ele estaria envolvido em falcatruas desde o governo Fernando Collor e foi investigado no escândalo das bicicletas na gestão Alceni Guerra no Ministério da Saúde.

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