Acusado em Carajás usava identidade falsa

Preso em flagrante na noite desta segunda-feira pelo juiz Roberto Moura, por falsidade ideológica, o soldado da Polícia Militar do Pará, Joaci Matos Pereira, um dos 149 acusados de matar 19 trabalhadores sem terra na "Curva do S", no sul do Estado, confessou na tarde desta terça-feira, no Tribunal do Júri, que desde 1989 usava o nome de José Maria Matos, que, na verdade, pertence ao primo dele por parte de mãe.Pereira disse não possuir antecedentes criminais, porém não conseguiu explicar por que usou a identidade do primo para ingressar na Polícia Militar. Depois da confissão, o promotor de Justiça José Rui Barbosa pediu a retificação do nome de Pereira na denúncia do Ministério Público, na pronúncia de sentença e no libelo acusatório.SPCO verdadeiro José Maria Matos esteve no Tribunal do Júri e desmascarou seu parente, informando ao juiz desconhecer que o primo usava a identidade dele. Matos disse que havia perdido os documentos e começou a suspeitar do primo quando descobriu que seu nome estava no SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) de Marabá.A partir daí, aproveitou um momento em que o soldado estava dormindo, examinou os documentos e descobriu a verdade, esperando o momento do julgamento para desmascará-lo. Com a prisão por falsidade ideológica decretada por Moura, o soldado deve ser expulso da PM onde vinha atuando com identidade falsa havia 14 anos.Testemunhas com medoO advogado do réu, Paulo Ronaldo Albuquerque, que também defende outros 126 acusados no processo, afirmou ter ficado surpreso com o fato: "Nem sei o que dizer?. Na sessão do júri, as testemunhas da acusação não compareceram para depor. Elas temem represálias dos acusados, com quem cruzam diariamente pelas ruas de Marabá e Parauapebas, onde os réus fazem policiamento.Oito peças do processo foram lidas para os jurados. Foram os depoimentos prestados em juízo pelo ex-comandante geral da PM coronel Fabiano Lopes; o motorista de um ônibus que transportou a tropa de Marabá, Pedro Alípio da Silva; o armeiro da PM Antônio Eguinaldo Mendonça; o cinegrafista Osvaldo Araújo; o funcionário municipal Valderez Tavares da Silva; a jornalista Marisa Romão e os integrantes do MST Maria Áurea Rocha Maciel, Paulo da Silva e Manoel da Silva.Também foram ouvidos os soldados da PM Antônio da Silva Maia e Marcos Aurélio Santos Furtado, arrolados pelo advogado de defesa Paulo Ronaldo Albuquerque. O soldado Marcos disse que um dos acusados, Lourival Santos Neto, estava com ele na casa do major Oliveira, em Parauapebas, na hora do confronto.

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