Acusado de vazar dossiê, Aparecido pede demissão da Casa Civil

CPI dos Cartões não conseguiu entregar o ofício com sua convocação para depor na próxima terça-feira

14 de maio de 2008 | 19h56

O secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, entregou nesta quarta-feira, 14,  a sua carta de demissão. O pedido de exoneração deve ser publicado na quinta, no Diário Oficial. A Casa Civil encaminhou ao Tribunal de Contas da União (TCU) o pedido de exoneração com o ato de reintegração do funcionário ao órgão de origem. Ele entrou no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido de habeas corpus para poder ficar calado em depoimento à CPI dos Cartões Corporativos, marcado para a próxima semana.   No habeas corpus, ele pede ainda que tenha assegurado o direito de não ser preso em flagrante pelo crime de desobediência, que não precise assinar termo de compromisso na comissão e que possa deixar de responder perguntas para não se auto-incriminar. O pedido será julgado pelo ministro Carlos Ayres Britto.   Veja também: CPI aprova perícia em computador de assessor de tucano Veja o dossiê com dados do ex-presidente FHC  Entenda a crise dos cartões corporativos  Dossiê FHC: o que dizem governo e oposição Oposição anuncia nova ofensiva para levar Dilma à CPI Defesa de acusado de fazer o dossiê irá mirar braço direito de Dilma   Aparecido passou o dia sumido. A CPI dos Cartões não conseguiu entregar o ofício com sua convocação. No início da noite seu novo advogado, Maximiliano Telesca, entrou em contato com a presidente da CPI, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), para avisar que seu cliente irá depor na Polícia Federal hoje ou amanhã.   Com receio das revelações de Aparecido sobre a montagem do dossiê na Casa Civil, os aliados exigiram que, antes do ex-secretário do Planalto depor à CPI, ter cópia de seu depoimento à Polícia Federal. Dessa forma, a base governista quer evitar ser surpreendida com o teor do depoimento de Aparecido.   A CPI aprovou a convocação de Aparecido na terça-feira. Ele foi o responsável por enviar ao assessor do senador Alvaro Dias (PSDB-PR), a André Fernandes, a cópia da planilha preparada no Planalto com gastos dos cartões corporativos.     Antes de depor à CPI, Aparecido deverá ser ouvido pela Polícia Federal na investigação sobre o vazamento do dossiê. Sem saber o que Aparecido dirá aos integrantes da CPI, os governistas resolveram se resguardar e aprovar a convocação do secretário condicionada ao conhecimento do conteúdo de seu depoimento à PF.   "Aprovamos que o José Aparecido e o André seriam ouvidos no mesmo dia pela CPI e depois que os documentos da PF com os dois depoimentos chegarem à comissão de inquérito", observou a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC). "Precisamos dos depoimentos deles para termos subsídios para fazermos as perguntas", argumentou a petista. A presidente Marisa Serrano remarcou ontem à noite os depoimentos para a próxima terça-feira. A previsão era que os dois fossem hoje à CPI.   (Com Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo)  

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