Acusado de receber dinheiro de doleiro está fora do País

E-mails interceptados pela Polícia Federal na Operação Lava Jato indicam que o ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) Clementino de Souza Coelho, irmão do ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho, pediu ao doleiro Alberto Youssef que fizesse depósitos em contas de pelo menos dois familiares.

ANGELA LACERDA, Agência Estado

16 de abril de 2014 | 20h29

O teor das mensagens foi revelado nesta quarta-feira pelo jornal Folha de S.Paulo. Os e-mails trocados entre Clementino e Youssef, preso desde o mês passado sob suspeita de comandar um esquema bilionário de lavagem de dinheiro, contêm comprovantes de depósitos feitos na conta de João Clementino de Souza Coelho e pedidos de dinheiro em nome de Maria Cristina Navarro de Brito, respectivamente filho e mulher do ex-presidente da Codevasf. Um terceiro destinatário do dinheiro foi identificado como Fábio Leivas pela PF, sem mais detalhes. As mensagens foram trocadas entre o fim de janeiro e o início de fevereiro de 2014.

Clementino deixou o comando da Codevasf em janeiro de 2012, após o jornal O Estado de S. Paulo revelar que ele e o irmão aproveitaram uma brecha legal para desrespeitar durante um ano um decreto presidencial de 2010 que proíbe o nepotismo na administração.

Bezerra divulgou hoje nota na qual afirma que a nomeação do presidente da Codevasf é "atribuição da Presidência da República" e que Clementino só ficou um ano como interino no cargo em função da "demora" do Palácio do Planalto em fazer a escolha definitiva para o posto. O ex-ministro foi titular da Integração Nacional de janeiro de 2011 a setembro de 2013, quando o PSB do pré-candidato a presidente Eduardo Campos rompeu com o governo Dilma Rousseff.

Bezerra não comentou na nota o pedido de dinheiro que seu irmão teria feito ao doleiro preso na Lava Jato. Clementino está fora do Brasil, em viagem com a família. Contratado pelo ex-presidente da Codevasf, o advogado Pierpaolo Bottini disse que só vai se pronunciar depois de ter acesso aos autos do processo.

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