Acusado de liderar fraude bilionária assume posto na Câmara

"Parece o primeiro dia de aula", comentou com um assessor o deputado Juvenil Alves (PT-MG) em sua estréia. Acompanhado por assessores e familiares, o deputado estava orgulhoso por ter sido procurado pelos candidatos à presidência da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP). No final, ele acabou se definindo por Chinaglia, mas mandou avisar por sua assessoria que manteria seu voto em sigilo. "Voto secreto é para manter secreto", argumentou.O dono da sensação de estreante na vida parlamentar é um velho conhecido da Polícia Federal e, apesar de ser Juvenil de batismo, é encarado como profissional. Ele foi acusado de comandar um esquema de sonegação de impostos por parte de empresas no valor estimado de R$ 1 bilhão. A sua prisão preventiva já tinha até sido decretada, mas foi suspensa por um habeas corpus, concedido pelo Tribunal Federal de Recursos.No Congresso Nacional, Alves tem preferido a cautela e o anonimato. "Ainda estou me adaptando, mas fui muito bem recebido pelos companheiros", disse. Alves nem parecia que estava encrencado com a justiça e em meio aos deputados de pouca expressão fez o juramento e passou despercebido.Por intermédio de sua assessoria, o deputado acusado contou que recebeu até elogios de colegas que teriam supostamente elogiado a sua capacidade intelectual. Um desses deputados, segundo Alves, lhe teria dito que "foi um prazer receber um deputado tão inteligente".Agora, ele espera que a imunidade parlamentar diminua a velocidade com a justiça aprecia o seu caso. Ele já entrou com pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal pedindo a suspensão definitiva da prisão temporária. No plenário da Câmara, ele não estava sozinho. Pelo menos outros 40 deputados, segundo levantamento feito pelo Estado, apresentam problemas com a justiça. Mas, de longe, o caso de Alves, preso pouco antes da diplomação, é o mais espetacular: a Polícia Federal o acusa de ser o "mentor e executor" do golpe bilionário.

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