Acusado de fraude, Lobão Filho assume vaga no Senado

Parlamentar ocupa o lugar do pai e diz que vai provar sua inocência

Rosa Costa, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2008 | 00h00

Sem apresentar nenhum documento de defesa das acusações de que é alvo, Edison Lobão Filho (DEM-MA) tomou posse ontem na vaga do Senado aberta com a nomeação de seu pai, Edison Lobão (PMDB-MA), para o cargo de ministro de Minas e Energia. Lobão Filho - nome pelo qual quer ser conhecido no Senado, em vez do apelido Edinho - disse que pretende apresentar, primeiramente ao DEM, uma declaração de 2005 registrada em cartório. Por esse documento, seu ex-sócio Marco Antonio Costa o inocentaria das acusações de transferir para o nome de uma empregada doméstica a propriedade de empresa com problemas com o Fisco estadual. De acordo com a declaração, Costa teria assumido a responsabilidade pela escolha de sua empregada doméstica para substituí-lo na distribuidora de bebidas Bemar. Hoje com o nome de Itumar, a empresa deve R$ 42 milhões de impostos no Maranhão."MASSACRE"Segundo Lobão Filho, é "irrelevante" o fato de suas cotas terem sido transferidas para uma empregada. "Eu passei a empresa para meus ex-sócios, eles assumiram todos os débitos e estão pagando", argumentou. "O assunto foi explorado pela imprensa pela minha ausência em dar explicações." O agora senador disse que sofreu "um massacre" da imprensa.Além da suspeita de ter participado da manobra para se livrar da dívida, ele é também acusado de envolvimento em fraude na Companhia de Processamento de Dados do Maranhão (Prodamar). Foram apagadas 3 mil notas fiscais de 205 empresas, entre 1993 e 1999, com prejuízo estimado de R$ 60 milhões.Edinho é 13º suplente de senador a ocupar a vaga de um titular eleito. Recebeu o mandato por ato do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), com a audiência solitária do líder do PTB, Epitácio Cafeteira (MA).Orientado pelo pai a não assumir o posto, ele disse que chegou à conclusão de que deveria exercer o mandato. "Aquele conselho foi dado numa época, e foi analisado", afirmou. "Hoje eu cheguei à conclusão de que o mais correto é tomar posse e permanecer no cargo." Na primeira entrevista como senador, ele protestou contra a decisão da cúpula do DEM de pedir sua saída do partido. "Fui julgado por presunção, o partido fez um prejulgamento, não me deram oportunidade de expor minha posição em relação ao governo e julgo que isso foi uma descortesia comigo", afirmou Lobão Filho, sem acrescentar que a decisão do partido também se deve à suspeita de seu envolvimento em corrupção.CONVITESEle disse ter sido alvo de "hostilidade e perseguição" do DEM. E que está analisando os convites de filiação partidária recebidos de dirigentes do PR e dos senadores José Sarney (PMDB-AP) e Cafeteira, do PTB. "Ainda vou decidir, preciso antes ouvir a voz da experiência", explicou, mesmo depois de o presidente do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson (RJ), ter dado sua filiação como certa.

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