Acusado de desvios no Ministério do Trabalho é preso em Minas

Deivson Oliveira Vidal, presidente da Oscip IMDC, já estava de malas prontas para viajar para Miami quando foi pego pela Polícia Federal

Ezequiel Fagundes, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

11 de setembro de 2014 | 12h40

Atualizado às 14h -Belo Horizonte - A Polícia Federal (PF) em Minas realizou, na manhã desta quinta-feira, 11, a Operação Escape e prendeu por tempo indeterminado o empresário Deivson Oliveira Vidal, presidente da organização civil de interesse público Instituto Mundial de Desenvolvimento e Cidadania (IMDC). Vidal havia sido preso no ano passado pela Operação Esopo, acusado de desvio milionário nos cofres públicos, sobretudo no Ministério do Trabalho. Indiciado por peculato, corrupção ativa, falsidade ideológica, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação de bens e formação de quadrilha, Deivson é acusado agora de fraude processual que possibilitou na recuperação de um helicóptero confiscado durante a Operação Esopo. Além da prisão por tempo indeterminado, foi decretada a apreensão de seu passaporte. Deivson estava de malas prontas para viajar para Miami, no próximo dia 16, onde já havia solicitado o green card, permissão para morar em definitivo nos Estados Unidos. 

Segundo fontes da investigação, a aeronave foi liberada porque a Justiça foi induzida ao erro. Confiscado pela Justiça Federal em Minas, o helicóptero foi liberado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que, por sua vez, não tinha conhecimento se tratar de bem apreendido pela PF.  Para driblar o judiciário, Deivson contou com a colaboração do médico Jaime Moraes, conhecido pelas festas que promove em BH. Contra Moraes, foi expedido um mandado de condução coercitiva, ele foi detido em sua mansão no Bairro Belvedere, na Zona Sul, prestou depoimento e foi liberado em seguida. De acordo com a PF, Deivson adquiriu o helicóptero na mão de Moraes, como não foi totalmente pago, o médico exigiu o bem de volta e depois vendeu para terceiros, mesmo sabendo que havia o confisco da Justiça. De acordo com a PF, eles agiram em conluio.

Em 9 de setembro de 2013, a PF em Minas deflagrou a Operação Esopo e desmantelou uma organização criminosa que agia em 11 estados e no Distrito Federal por meio de fraudes em obras, organizações de eventos, treinamento de jovens e contratos terceirizados. Quatro servidores de alto escalão do Ministério do Trabalho foram alvos da Esopo, entre eles Paulo Roberto Pinto, assessor próximo do ministro Manoel Dias, indicado pelo ex-ministro Carlos Lupi, presidente nacional do PDT e candidato ao senado pelo Rio. De 2008 a 2013, a PF estima que cerca de R$ 400 milhões saíram dos cofres do ministério para a Oscip mineira. Procurado, o advogado de Deivson, Marcelo Leornardo, declarou que não sabia do motivo da prisão. O defensor do médico Moraes não foi localizado.

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