Acusado de corrupção, Vilela ameaça processar Lessa

O governador de Alagoas e candidato à reeleição pelo PSDB, Teotonio Vilela Filho, disse que vai processar o ex-governador Ronaldo Lessa, candidato pelo PDT. A promessa foi feita durante o debate realizado na noite de ontem pela TV Pajuçara, que é afiliada à Rede Record, em Maceió. "Vai ser mais processo que você vai responder", afirmou Vilela, ao ser denunciado por Lessa de ter sido flagrado negociando o recebimento de propina durante a Operação Navalha, quando a Polícia Federal (PF) investigou o esquema de corrupção envolvendo a construtora Gautama, em 2007.

RICARDO RODRIGUES, Agência Estado

21 de setembro de 2010 | 18h06

A troca de acusações entre os dois dominou o debate. Vilela acusou Lessa de responder a processo por envolvimento no desvio de R$ 200 milhões da merenda escolar e de deixar um rombo de R$ 480 milhões nas contas do Estado, quando deixou o governo em 2007. Lessa desmentiu e disse que deixou um ativo de mais de R$ 600 milhões que, afirmou, se Vilela não soube administrar é porque é "incompetente". O governador reagiu dizendo que Lessa está com a candidatura impugnada pela Justiça, com base na Lei da Ficha Limpa.

Enquanto Lessa e Vilela batiam boca, os demais candidatos miravam o ex-presidente e senador Fernando Collor (PTB). Por isso, para alguns assessores, os candidatos "nanicos" se destacaram. Foram os candidatos com menor desempenho nas pesquisas de intenções de voto - Mario Agra (PSOL), Jefferson Piones (PRTB) e Tony Clóvis - que mais questionaram Collor, que aparece na liderança da última pesquisa do Ibope para o governo do Estado. De acordo com o instituto, os três principais concorrentes estão tecnicamente empatados: Collor tem 29% da preferência, Lessa aparece com 28% e Vilela, com 27%.

Ataques

Collor foi golpeado com perguntas como o "confisco da poupança" e o fato de nunca ter concluído um mandato executivo. "Foi prefeito, saiu antes de terminar o mandato. Foi governador, deixou o cargo para se candidatar presidente. Como presidente, foi obrigado a renunciar para não ser cassado. É senador e já quer trocar o mandato pelo governo do Estado. Por que o senhor nunca concluiu um mandato executivo?", questionou Agra.

Já o candidato Jefferson Piones indagou se o ex-presidente conseguia dormir tranquilo depois do "confisco da poupança", do "acordo dos usineiros" e da contratação de 5 mil servidores sem concurso quando foi prefeito de Maceió. Segundo Piones, o acordo dos usineiros, assinado por Collor entre 1987 e1989, "empobreceu Alagoas", que ficou sem receber por mais de uma década os impostos das usinas, que na época correspondiam com mais de 60% da arrecadação do Estado. Collor foi questionado também por ter apresentado apenas um projeto no Senado.

Defesa

O senador se defendeu dizendo que a poupança foi devolvida com juros acima da inflação e que o acordo com os usineiros é fruto de ação judicial, que poderia inviabilizar o Estado se a dívida ao setor não fosse parcelada.

Collor afirmou ainda não ver problema em dar emprego a quem precisa e que preside a comissão mais importante do Senado (Infraestrutura) a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nessa comissão, ele disse que desenvolve projetos como o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) sob o comando da ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à Presidência.

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