Acusado de contratar pistoleiro, procurador é preso no AM

O procurador-geral de Justiça licenciado do Amazonas, Vicente Cruz, está preso na sede do Ministério Público Estadual desde a madrugada desta terça-feira por ter supostamente contratado dois pistoleiros para matar o procurador Mauro Campbell. O primeiro teria recebido R$ 20 mil para executar o crime no réveillon deste ano, mas teria sumido com o dinheiro, o que teria supostamente motivado Cruz a contratar, para 7 de janeiro, o segundo pistoleiro, identificado como Frank. Frank denunciou o esquema a Campbell na quinta-feira (5), que o levou ao secretário de Segurança do Estado, Francisco Sá Cavalcanti, e foi incluído no programa de proteção de testemunhas da secretaria.O motivo para a encomenda da morte seria supostamente eliminar o mais forte cotado para ser o novo procurador de Justiça nas preferências do governador Eduardo Braga (PMDB). Campbell foi secretário de segurança na primeira administração de Braga e cabe ao governador escolher o procurador-geral, ao receber a lista tríplice dos nomes mais votados, depois da eleição marcada para o dia 15 de fevereiro. Cruz e Campbell fazem parte da lista de seis candidatos ao cargo.Cruz poderia ser transferido para prisão domiciliar até o início desta noite. Por ter foro privilegiado, segundo o artigo 116 do regimento interno, o procurador não será investigado pela polícia ou pela justiça comuns, mas por um colegiado de membros do próprio Ministério Público. O subprocurador Carlos Coelho anunciou que a investigação será sigilosa e não há data para conclusão. "O procurador (Cruz) está preso porque há indícios de um crime, mas tem o direito de recorrer ao pedido de prisão preventiva", disse Coelho. A prisão foi decretada pelo presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas, Francisco Auzier.Do colegiado que irá investigar o colega faz parte Coelho, o procurador em exercício Evandro de Farias, o procurador João Bosco Sá Valente e o promotor João Lúcio Souza. Cruz era o procurador-geral até o dia 15 de dezembro do ano passado, quando se licenciou para concorrer novamente ao cargo.PesadeloCruz não quis falar à imprensa. Campbell chorou durante a entrevista. "Só posso atribuir às mãos de Deus esse segundo pistoleiro não ter tido coragem de executar algo tão bestial. Estou passando por um pesadelo", disse. Segundo o secretário de Segurança, Frank é ex-presidiário e decidiu denunciar o suposto mandante ao ter identificado Campbell como ex-secretário de Segurança e que o tinha beneficiado na prisão com um programa de reabilitação.Campbell contou que, ao levar Frank à secretaria de Segurança, na mesma quinta-feira (5) foram autorizadas escutas telefônicas nos celulares dos supostos intermediários de Cruz com o pistoleiro, Maria José Dantas da Silva e Élson Moraes. Os dois, além de o primeiro pistoleiro cujo nome não foi divulgado, estão sendo procurados e com prisões preventivas decretadas.Segundo uma fonte da Polícia Civil, nas gravações agora em poder do Ministério Público Estadual, o nome de Cruz surgiu em uma última conversa dele com Élson, na tarde de segunda-feira (8). Cruz teria dito a Elson: "Venha à minha casa agora, deu errado, é para abortar". Campbell contou que, na segunda-feira, por volta das 11 horas da manhã, Cruz ligou para ele para prestar solidariedade. "Na segunda pela manhã todos na sede do Ministério Público estavam comentando que eu havia sido ameaçado de morte e ele ligou prestando solidariedade. Mas só no fim da tarde é que soube que o colega poderia estar envolvido".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.