Acusada no caso Sudam é presa

A Polícia Federal apreendeu cerca de cem cheques, com valores que variam de R$ 100 mil a R$ 500 mil, na casa de Maria Auxiliadora Barra e no escritório de Geraldo Pinto da Silva, dois dos principais suspeitos de intermediar projetos suspeitos financiados pela Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Maria Auxiliadora foi presa hoje à tarde no aeroporto de Belém e transferida para Palmas em Tocantins. Pinto da Silva desapareceu depois de saber do pedido de sua prisão.A PF apreendeu ainda diversos esboços de projetos, além de computadores e documentos contábeis. Todo o material será encaminhado para o Ministério Público Federal em Tocantins, que centralizará as investigações sobre as irregularidades na Sudam. Conforme fontes da PF, todos os cheques - de valores superiores a R$ 100 mil - eram de pessoas jurídicas e suspeita-se de que refiram-se a pagamento de comissão por consultoria ou propinas."Ainda é cedo para avaliarmos, mas os documentos serão de grande importância para o caso, de agora em diante", avalia o procurador da República em Tocantins, Mário Lúcio Avelar. Todo o material foi colhido em Belém e São Paulo, para onde as investigações estão sendo direcionadas pelo procurador de Mato Grosso, Pedro Taques. Apesar de não admitir, o alvo de Taques são escritórios de projetos com financiamento da Sudam. Em 1996, um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) já levantava essa suspeita.PrisõesDurante todo o dia de hoje, o superintendente da Polícia Federal no Pará, Geraldo José de Araújo, recebeu diversos telefonemas de empresários e comerciantes do interior do Estado e de Tocantins, interessados em se apresentar à PF, após a decretação das prisões preventivas. Entre os que pretendiam se apresentar estava Maria Auxiliadora Barra, localizada pela Polícia Federal no interior do Amapá, onde tem uma fazenda. Ela estava sendo vigiada pelos agentes da Divisão de Repressão à Entorpecentes (DRE), encarregados de efetuar as prisões.Mas um dos principais suspeitos das fraudes em projetos financiados pela Sudam, o empresário Geraldo Pinto da Silva, não tinha sido localizado. Informações obtidas pela cúpula da PF davam conta que ele estava em viagem para o Pará quando soube da decretação da prisão e não chegou ao seu destino. Hoje, foi preso em Monte Alto, no interior de São Paulo, José Carlos da Silva, acusado de fornecer notas frias para empresários e escritórios de consultoria.Os pedidos de prisão preventiva foram feitos no dia 5, mas somente no domingo à noite foram decretadas pela Justiça Federal de Mato Grosso e Tocantins. A PF admite que houve um vazamento de informações, durante o período, o que pode ter facilitado a fuga de alguns dos acusados. Além disso, durante o fim de semana a Polícia Federal desmobilizou o esquema de monitoramento de várias pessoas, por causa do feriado da Semana Santa.

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