Dida Sampaio/ Estadão
Dida Sampaio/ Estadão

Acusada de incentivar ‘fakes’, Joice diz que pediu para ‘tias do zap’ criarem perfis no Twitter

Ex-líder do governo afirma que vai à Justiça para saber como o presidente Jair Bolsonaro teve acesso a seus áudios

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2020 | 18h13

BRASÍLIA – A líder do PSL na Câmara, a deputada federal Joice Hasselmann (SP), reconheceu como autêntico um áudio em que pede a criação em perfis no Twitter e no Instagram para rebater os ataques que vinha recebendo na internet. Ela, porém, afirma que a solicitação não era para abrir contas falsas, mas para estimular que seus apoiadores em grupos de WhatsApp, chamados de “tias do zap”, mantivessem perfis nas redes sociais.

A parlamentar promete ainda ir à Justiça questionar como o presidente Jair Bolsonaro teve acesso aos seus áudios. Ao Estado, Joice disse, nesta terça-feira, 28, que o pedido foi feito na época em que prestou depoimento nas CPI das Fakes News, no dia 4 de dezembro. 

Na ocasião, ela acusou a Presidência de manter um “gabinete do ódio” para disseminação de notícias falsas. Segundo a deputada, a mensagem foi enviada apenas para um grupo de três pessoas que trabalham em sua comunicação. A orientação é que eles passassem o pedido aos diversos grupos de seus apoiadores.

“Eu acabei de chegar em São Paulo, cheguei há pouco para umas entrevistas, mas podia falar com a turma aí para fazer vários perfis e entrar de sola no Twitter, no Instagram, porque eles estão botando todas as milícias e robôs para cima de mim, entendeu?”, diz Joice no áudio.

“Meu áudio não tem nada de ilegal, nada de imoral. Eu pedi sim para as “tias do zap” criarem perfis no Instagram e Twitter para ajudar ame defender desses bandidos que hoje comandam a República. Não tenho como me defender desse bando de criminosos a não ser pedindo ajuda para gente decente e de verdade. Não tenho verba do Planalto, blogueiros, robôs e empresários multimilionários me financiado ”, justificou ao Estado.

A primeira referência à mensagem da voz de Joice foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro na noite de segunda-feira, 27, ao chegar no Palácio do Alvorada e se a nomeação de Alexandre Ramagem para o comando da Polícia Federal comprometeria o suposto esquema de fake news que seria ligado ao filho e vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). 

Sem citar o nome de Joice, mas dizendo se tratar de uma deputada conhecida de São Paulo, ele disse que evitava “há mais de um mês que o áudio chegasse a conhecimento público.” “Pode continuar (a investigação) sem problema. Qual o problema? Isso é liberdade de expressão. Vocês tinham que ser os primeiros contra a CPI das Fakes News. O objetivo é me desgastar. Se não tivesse um áudio de uma deputada muito conhecida passando para uma pessoa “olha, cria mais uns perfis falsos para atacar fulano de tal”. Você acha que iria pegar mal para essa deputada?”, disse o presidente.

Na manhã desta quarta-feira, o áudio foi divulgado pelo R7, o site de notícias da Rede Record. A mensagem também foi compartilhado pela deputada federal Bia Kicis (PSL-DF), aliada do presidente, e compartilhada por diversos perfis de apoio a Bolsonaro. 

“Em nenhum momento em falo de perfil fake, ilegalidade ou robô. Isso é da cabeça doentia do presidente da República que se mostrou um psicopata. Ele assinou textualmente que é chefe do gabinete do ódio, Ontem ele falou, hoje entregou para a Record, emissora que mais morde as verbas publicitárias do governo”, disse a parlamentar.

A ex-líder do governo promete ingressar na Justiça contra o presidente para saber se ela teve o seu celular hackeado. Na semana passada, ela protocolou um pedido de impeachment de Bolsonaro após o ex-ministro Sérgio Moro se demitir acusando o governo de tentar interferir na Polícia Federal.

“Eu vou entrar na Justiça porque quero saber se o presidente mandou hackear meu telefone, grampear meu telefone. Quem sabe aquela “Abin paralela” pode ter sido montada? Porque com ordem legal não foi o grampo. Como o presidente teve acesso aos meus áudios, como conseguiu?”, questionou.

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