'Acusações viraram pó', diz Renan em mais uma de suas defesas

Senador volta a se defender, nega irregularidades, desqualifica nova denúncia e se diz 'vítima de linchamento'

04 Setembro 2007 | 16h07

Mais uma vez, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), faz uso da tribuna da Casa para se defender. Desta vez, de uma nova acusação: a de que participava de um esquema de arrecadação de dinheiro envolvendo ministérios comandados pelo PMDB. "Sou vítima. Vamos deixar o processo evoluir, mas como presidente da instituição não posso deixar de registrar o linchamento", afirmou. Segundo ele, todas as denúncias foram feitas sem provas. "Acusações viraram pó", disse.   Veja também:   Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Cronologia do caso Renan Em semana decisiva, Renan pode enfrentar quarto processo Nova denúncia: Renan tem de explicar propinas     "Estas mentirinhas vão envenenando o ambiente e sempre encontram sócio para isso. E agora, que as mentiras ruíram? Agora, que as velhas imputações ruíram, surge mais uma. Eu optaria por desprezá-la, mas em respeito ao Senado não posso deixar de dar uma satisfação. Trata-se de mais uma mentira. Briga familiar litigiosa, que ganhou proporções na mídia", afirmou para rebater. O senador se refere a acusação feita por ex-marido de uma funcionária sua. "É tudo falso, responderei no momento adequado."   Em entrevista à revista Época, o advogado Bruno de Miranda Lins, ex-marido da assessora parlamentar de Renan Flávia Garcia e afilhado de casamento do senador, disse que o ex-sogro, o empresário Luiz Carlos Garcia Coelho, operava um esquema de arrecadação de dinheiro para o presidente do Senado em ministérios chefiados pelo PMDB e envolveu também outros dois peemedebistas na acusação: o senador Romero Jucá (RR), ex-ministro da Previdência, e o deputado Carlos Bezerra (MT). Em entrevista nesta terça-feira, Flávia disse que o ex-marido quer atingi-la, e não ao senador, porque os dois enfrentam processo de separação litigiosa na Justiça.   Renan nega irregularidades: "Não tenho propriedades, bens, ou operações clandestinas. Percorro a vida pública pelas vias públicas, sem laranjas". E voltou para o ataque à revista Veja e ao Grupo Abril, responsável pela publicação. "Revista ficou conhecida como 'vileja', pelo jornalismo torpe e panfletário", atacou. O senador usou o telão para exibir imagens de programa jornalístico da Band que trata das denúncias de irregularidades na compra da TVA da Abril pela Telefônica.   Em tom de ameaça, sem se referir a nomes, o senador afirmou que o "futuro julgará a todos, um por um". E continuou: "o poder não poderá apagar os rastros de nossas digitais". O discurso se dá na véspera da sessão em que o Conselho de Ética deverá votar o relatório sobre o primeiro processo, no qual é acusado de pagar despesas pessoais com dinheiro de um lobista. Renan afirmou que tem trabalhado "sem chicanas" e que tem respeitado o Regimento Interno do Senado e a Constituição Federal "para restabelecer a verdade".   Renan quis deixar claro ainda que não tenta nos bastidores negociar os votos dos senadores caso o relatório pela cassação, que será votado no conselho nesta quarta, vá para o plenário. "Gostaria de desautorizar qualquer publicação de listas que tenha tendência em votos. Isso é criminoso, não estão falando em meu nome, e que nenhum assessor tem conhecimento deste assunto. Ate porque o voto é secreto e cada a um de vocês saberá votar com sua consciência", finalizou.   Renan já responde a três processos no Conselho de Ética. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas pelo lobista de uma empreiteira, de usar laranjas na compra de rádios e jornais em Alagoas e de ter ajudado uma cervejaria, a Schincariol, a obter favores do governo. Nesta quarta-feira, será votado no órgão parecer que pede a cassação do senador por envolvimento na primeira denúncia.

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