Acusações a Ana Amélia ajudam a mudar cenário no RS

A menos de uma semana das eleições, o cenário eleitoral do Rio Grande do Sul mudou. Pela primeira vez, o governador Tarso Genro (PT), candidato à reeleição, vê seus números nas pesquisas alcançarem os da senadora Ana Amélia Lemos (PP). Ajudado por sites simpáticos ao PT, a campanha de Tarso encontrou os argumentos para tentar desconstruir a candidatura rival.

LISANDRA PARAGUASSU, ENVIADA ESPECIAL, Estadão Conteúdo

30 Setembro 2014 | 19h50

Até aqui sem ter que enfrentar críticas pessoais, Ana Amélia passou a ser acossada por acusações de ter sido funcionária fantasma do Senado e não ter declarado em sua relação de bens uma fazenda herdada do falecido marido, o ex-senador biônico Octávio Omar Cardoso.

As duas acusações migraram diretamente dos sites Sul21 e Sociedade Política para a propaganda eleitoral de Tarso, seguindo a mesma estratégia de atacar os pontos fracos adotada pela campanha nacional de Dilma Rousseff contra Marina Silva. Da mesma forma que na campanha nacional, mesmo com a suposta rejeição dos eleitores a ataques pessoais, a tática deu certo. Depois de dois meses em que Tarso se mantinha a 10 pontos porcentuais de Ana Amélia, a última pesquisa Datafolha, há três dias, mostra os dois candidatos empatados em 31%. A senadora teria perdido seis pontos e Tarso, ganho quatro.

A própria campanha de Ana Amélia atribui a queda da senadora - que teria perdido pontos para José Ivo Sartori (PMDB) e para os indecisos - às denúncias exploradas pelo PT. "Veio aí uma onda de denúncias e boataria, uma prática típica do PT, como fizeram com a Marina na campanha nacional e que foi muito prejudicial", diz o coordenador da campanha, Marco Aurélio Ferreira. "Mas fizemos agora um programa com respostas a cada uma das denúncias. Acreditamos que vá haver agora uma estabilização nos números.

As denúncias contra a senadora atacaram um dos seus maiores patrimônios políticas, a ideia de que não tinha problemas éticos ou "esqueletos" guardados. Em entrevistas, quando questionada, Ana Amélia respondeu as denúncias, mas sua própria resistência em tratar do assunto pode ter prejudicado sua reação. A rejeição a seu nome subiu de 13% para 17%. Ferreira garante que os trackings do PP apontam para uma estabilização e até mesmo uma recuperação de pontos nessa reta final da campanha. Já a campanha de Tarso diz exatamente o contrário.

O comitê petista não atribui diretamente às denúncias a melhora na sua performance nas pesquisas, mas reconhece que contribuiu. "Acho que de alguma forma colaborou. Nós reorientamos nossa campanha para fazer comparações entre o que ela propõe e o que o governo faz, inclusive para mostrar sua falta de resposta a essas questões", diz Carlos Pestana, coordenador da campanha de Tarso Genro.

Nas duas últimas semanas, o governador se afastou da função pública para se dedicar apenas à campanha, inclusive viajando pelo interior, o que poderia ter ajudado. A campanha também passou a ligar mais Tarso à presidente Dilma, que também vem crescendo e estaria com 44% das intenções de voto entre os gaúchos. Os dois lados apostam no debate na RBS, afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul, na noite de ontem, para garantir seus resultados. Duas pesquisas ainda são esperadas, de Ibope e Datafolha, na quinta, 2, e na sexta-feira, 3.

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