Acusação tem caráter eleitoral, diz Roseana

Reportagem do 'Estado' deste domingo denunciou lavagem de dinheiro por meio de empréstimo com o Banco Santos

Leandro Colon / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 18h27

A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), afirmou no domingo, por meio de nota oficial, que a publicação da reportagem sobre a lavagem de dinheiro por meio de empréstimo com o Banco Santos tem caráter eleitoral para prejudicá-la na campanha à reeleição. Ela desmente irregularidades no empréstimo, mas não nega ter dinheiro no exterior. Para a governadora, o episódio tem relação com a descoberta de gás no Maranhão.

 

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"É muito estranho que uma denúncia fantasiosa, de seis anos atrás, seja desenterrada agora que estamos em plena campanha eleitoral, quando todas as pesquisas apontam uma tranqüila liderança para a minha candidatura. E mais: que a denúncia reapareça um dia depois de ter sido anunciada a descoberta de gás no Maranhão, num volume tal que vai transformar o nosso estado em responsável por 25% do gás produzido no Brasil", disse Roseana.

 

O Estado obteve todo o processo de empréstimo concedido à Bel-Sul. A governadora do Maranhão participou pessoalmente da operação financeira. É ela quem assina, ao lado do marido, o contrato de empréstimo de número 14.375-3 e as hipotecas registradas em cartório.

 

Na época, Roseana - que disputa hoje a reeleição ao governo do Maranhão - detinha 77,9% da Bel-Sul e seu marido, 22,1%. Hoje, sua participação está nas mãos da filha, Rafaela. Murad continua administrando a empresa. São antigas as relações entre a família Sarney e Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos. Edemar é padrinho de casamento de Roseana e Jorge Murad. "Não fiz nada de ilegal, não devo nada a ninguém e para mim este assunto está encerrado", disse Roseana, na nota. "Mais uma vez, em época de campanha eleitoral, repito, começam a surgir denúncias e acusações descabidas, ofendendo minha honra e meu passado", ressaltou.

 

Condenado a 21 anos de cadeia, Edemar chegou a ser preso, mas recorreu e responde em liberdade. Foi condenado por crime contra o sistema financeiro, lavagem de dinheiro, crime organizado e formação de quadrilha. O rombo no Banco Santos foi estimado em R$ 2,9 bilhões. A instituição financeira virou uma massa falida busca salvar as dívidas com seus credores.

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