Ed Ferreira/Estadão
Ed Ferreira/Estadão

Acusação formal pede cassação do mandato de Nelson Meurer

Denúncia do Ministério Público Federal diz que deputado desviou R$ 29 milhões da Petrobras em oito anos, com esquema do PP

Ricardo Brandt, Julia Affonso e Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2016 | 03h00

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a perda do mandato do deputado federal Nelson Meurer (PP-PR). O parlamentar é acusado pelo desvio de R$ 29 milhões, do total de R$ 357,9 milhões que teriam sido parte da cota do partido no esquema na Petrobrás.

Meurer é acusado por dar sustentação ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, ao lado de outras lideranças do PP.

“Entre 2006 e 2014, em Brasília/DF, em Curitiba/PR, em São Paulo/SP e no Rio de Janeiro/RJ, o deputado federal Nelson Meurer, na condição de integrante da cúpula do Partido Progressista, PP, de modo livre, consciente e voluntário, em unidade de desígnios com pelo menos José Janene, Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, fornecendo o apoio e a sustentação política necessários à manutenção deste último na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás”, escreveu Janot na denúncia.

Foram 161 atos de corrupção em favor do partido, políticos, agentes públicos e operadores de propina, segundo a acusação formal. No caso de Meurer, pelo menos duas doações oficiais, no valor total de R$ 500 mil, foram propina desviada da Petrobrás, conforme Janot.

Divisão. A Procuradoria-Geral da República montou um esquema de como era feita a divisão da corrupção, na Diretoria de Abastecimento, então cota do PP na Petrobrás. “Sobretudo a partir de 2006, em todos os contratos celebrados com empresas cartelizadas houve o pagamento de vantagens indevidas de pelo menos 1% do valor total contratado.” Essa cobrança envolvia ainda aditivos de contratos, segundo a investigação.

Desse valor, havia uma regra geral para divisão interna na legenda: 60% eram para o caixa do PP; 20% reservados para custos operacionais, tais como notas fiscais, tributos; 20% para divisão entre o diretor de Abastecimento e os operadores do esquema. Desse custo dos operadores, 70% ficavam com Paulo Roberto Costa e 30%, com o ex-deputado José Janene (morto em 2010) e, posteriormente, com Youssef.

Meurer e seus filhos Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer foram denunciados pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

Negativa. Procurado, o deputado, por meio do criminalista Michel Saliba, não quis comentar a acusação formal. “Vamos responder a denúncia nos autos, no seu devido tempo. Negamos de modo peremptório as imputações apresentadas pela denúncia.” 

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