Acusação é vaga por inteligência do MP, diz advogado de Valdemar

Para defesa, MP usa a mesma tática do caso Collor com acusações 'genéricas'

Eduardo Bresciani, de O Estado de S. Paulo

10 de agosto de 2012 | 18h40

O advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa acusou o Ministério Público de ter propositalmente feito uma acusação "vaga" no processo do mensalão, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. Bessa defende o deputado federal Valdemar Costa Neto (SP), ex-presidente do PL, hoje PR.

"Acusação com relação a todos os réus é sempre deliberadamente vaga, não por erro do Ministério Público, mas por inteligência. O Ministério Público usa a mesma tática do caso Collor com uma acusação genérica que buscasse ligar o pagamento ao exercício de função", diz o defensor.

Ele nega que os recursos recebidos por Valdemar fossem para votar no Congresso apoiando o governo e destaca que o vice-presidente José Alencar era do partido. "Pode ter ocorrido (mensalão) ou não, mas em relação ao PR não ocorreu.". Bessa sustentou que o dinheiro era para pagar contas da campanha de 2010. Admitiu que pela mudança na lei de lavagem dinheiro a prática poderia até ser enquadrada neste crime, mas que isso não era previsto na época, quando se exigia um crime antecedente.

"Poderia configurar crime eleitoral, hoje, pela nova lei, seria lavagem, mas na época não", afirmou.

Ele destacou ainda que Valdemar não poderia ter sido acusado por quadrilha se um dos integrantes do grupo era seu assessor e ele sequer conhecia outros dois que seriam parte do mesmo esquema, de acordo com a Procuradoria-Geral da República. Destacou que "indícios" não podem servir para a condenação de nenhum réu. "Contra Valdemar não restou nada provado".

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