Acuado por denúncias, Renan ameaça investigar negócios da Abril

Acuado por uma série de denúncias naimprensa, submetido ao Conselho de Ética e ameaçado por umarebelião no plenário, o presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB-AL), decidiu acusar seus acusadores. Em carta enviada aos senadores nesta segunda-feira, Renandiz que estaria sendo usado como "cortina de fumaça" paraencobrir a venda da TVA (emissora por assinatura em São Paulo,Rio de Janeiro e sul do país) do grupo Abril (que edita arevista Veja) para a Telesp, controlada pelo Grupo Telefônica . "Talvez fosse o caso de investigar o negócio bilionário quese deseja manter na obscuridade", afirma Renan na carta, semexplicar o eventual nexo entre as reportagens da revista e onegócio da TV por assinatura. No dia 18 de julho a Anatel concedeu anuência prévia para atransação -- no valor de 922 milhões de reais -, mas exigiumudanças na proposta de acordo de acionistas, de forma que aTelesp não se transforme ao mesmo tempo em operadora detelefonia e controladora de TV por assinatura em São Paulo. "A autorização da Anatel não foi unânime e ainda tem de sersubmetida ao CADE. Como se trata de uma concessão, o Congressotambém poderá examinar esse negócio com uma empresaestrangeira", disse Renan. A reação de Renan coincide com mais uma reportagem darevista Veja, acusando-o de controlar emissoras de rádio pormeio de "laranjas", e um pedido do procurador-geral daRepública, Antonio Fernando de Souza, para que o SupremoTribunal Federal investigue o presidente do Senado. De acordo com a revista, Renan seria sócio oculto de umaempresa de comunicação em Alagoas, pela qual teria pago 1,3milhão de reais em dinheiro. O senador nega e diz que seufilho, também chamado Renan, é que tem participação acionáriana empresa JR Comunicação. "Eu sou um sub-alvo de denúncias mentirosas, ditadas porinteresses paroquiais de Alagoas e de uma parte da oposição noSenado, que não se conforma com a popularidade do presidenteLula, de quem sou aliado", disse Renan a jornalistas. O líder do DEM (ex-PFL) no Senado, José Agripino (RN),propôs um boicote às votações no plenário enquanto RenanCalheiros presidir as sessões. "Não vou abrir mão de defender a dignidade da casa. Nãopodemos passar ao país a idéia de que estamos em paz, porqueaqui estamos constrangidos, e muito", disse Agripino natribuna. Para Renan, o líder do DEM, derrotado por ele nas eleiçõesde fevereiro, estaria buscando uma nova chance de disputar apresidência do Senado. Adversários políticos de Alagoas, comoos ex-senadores João Lira (PTB) e Heloísa Helena (PSOL), tambémestariam interessados na difusão de denúncias, segundo Renan. "Como as primeiras acusações já foram rebatidas, agorafabricam outras, no embalo das maledicências provincianas e doressentimento dos derrotados", afirmou na carta aos senadores. De acordo com a assessoria do procurador-geral daRepública, o pedido de abertura de inquérito apresentadosexta-feira ao STF visa a apurar os alegados negócios de RenanCalheiros na compra e venda de gado, sobre os quais hásuspeitas de sonegação, fraude e falsidade ideológica. "A PGR solicita a investigação dos aspectos criminais doque está em exame no Conselho de Ética do Senado", disse umaporta-voz do procurador. A assessoria confirmou que, no dia 10 de julho, RenanCalheiros enviou ofício ao procurador Antonio Fernando,solicitando que investigasse os documentos sobre compra e vendade gado.

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