Acuado por denúncias, Arruda anuncia desfiliação do DEM

Governador descarta disputar eleição e promete se dedicar a uma 'mudança definitiva nos costumes da política'

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo, e Carol Pires, da Agência Estado,

10 Dezembro 2009 | 17h41

O governador Arruda é observado pelo seu vice, Paulo Octavio, que é citado em gravações

 

BRASÍLIA - Em pronunciamento de menos de dois minutos, o governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda, acusado de comandar um esquema de corrupção, acaba de anunciar seu desligamento do Democratas (DEM) e sua desistência da vida pública.

 

O governador disse que não disputará mais nenhuma eleição para cargo público, mas garantiu que permanecerá à frente do governo do DF. Arruda se dedicará, a partir de agora, "inteiramente à administração pública" local e "a trabalhar por Brasília".

 

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Acusado de comandar um esquema de arrecadação e distribuição de propinas para aliados, o governador do DF prometeu ainda "lutar pela mudança definitiva de certos usos e costumes da política brasileira".

 

Diante da decisão, o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), cancelou uma reunião da Executiva Nacional do partido que decidiria se mantém ou expulsa o governador da sigla. O encontro aconteceria na manhã de sexta-feira, 11.

 

Próximo a Arruda, Maia disse que a atitude do governador "evita a votação de amanhã (sexta) que seria muito dura para todos, tanto para o governador como para o partido". "Acho que ele sabia que a votação de amanhã seria favorável à expulsão dele", acrescentou o deputado.

 

Sem perguntas

 

Arruda fez o rápido pronunciamento em uma sala da residência oficial de Águas Claras. Aos jornalistas presentes não foi permitido fazer perguntas. Em sua defesa, ele afirmou que foram "uma farsa" as denúncias de que recebeu propinas - mostradas em vídeos gravados com autorização da Justiça. "Foi uma farsa utilizada por meus adversários para me tirar da disputa de 2010", afirmou o governador, referindo-se à possibilidade de disputar um segundo mandato.

 

"Agora, vou me dedicar inteiramente à administração pública, me dedicar a trabalhar por Brasília e para defender minha honra", declarou o governador. Ao acusar os adversários de tentarem impedir sua candidatura a reeleição, ele afirmou: "Tudo porque pesquisas me davam ampla vantagem."

 

Arruda se declarou ainda "vítima de óbvias motivações políticas, de fatos ocorridos há mais de três anos que foram embaralhados. E o fato de cortar despesas contrariou interesses políticos, empresariais e pessoais, que hoje se voltam contra nós."

 

Sobre a situação do vice-governador Paulo Octávio, também citado no inquérito da operação Caixa de Pandora, da Policia Federal, Rodrigo Maia disse que o DEM decidirá um caso de cada vez. Segundo ele, "agora é o momento apenas de encerrar o caso do governador". "Talvez o caso mais grave do nosso partido", completou.

 

Veja a íntegra do pronunciamento feito pelo governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda:

 

"Para enfrentar esse desafio e garantir a conclusão de todas as obras, tomo a difícil decisão de deixar a vida partidária, desligando-me neste momento do Partido Democratas. Não disputarei a eleição do próximo ano. Repito: não disputarei a eleição do próximo ano. Quero dedicar-me inteiramente à tarefa de cumprir, como governador, todos os compromissos e metas assumidos no programa de governo. Como cidadão, vou lutar pela mudança definitiva de certos usos e costumes da política brasileira. Com as atuais regras, não disputarei mais nenhuma eleição".

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