Acordo sobre CPI pode decidir futuro de senadores

Um dia depois de realizada a operação abafa que impediu a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Corrupção, os efeitos de um acordo velado entre aliados para poupar os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) da cassação podem ser refletidos na contabilidade favorável dentro do Conselho de Ética. Defensores dos dois parlamentares acusados, calculam que dos 16 integrantes com direito a voto, sete certamente apoiarão ACM e Arruda e, agora, estão empenhados em convencer quatro indecisos do PMDB, do PFL e dois do PSDB.Indignada, a oposição decidiu brigar pela cassação até às últimas conseqüências. A oposição comprou a idéia lançada pelo senador Roberto Freire (PPS-PE) de encaminhar representação à Mesa Diretora doSenado a fim de evitar que se a punição for aprovada pelo conselho, seja arquivada pelo presidente da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA)."Tenho que acreditar nos senadores que compõem o conselho têm suficiente moral para não deixar decidir seu voto por um acordo partidário espúrio e renegado por toda nação brasileira", comentou o relator Saturnino Braga (PSB-RJ). "O Congresso que já ficou desmoralizado com essa operação que matou a CPI não vai se arriscar ainda mais", afirmou o líder da oposição no Senado, José Eduardo Dutra (PT-SE).Para barrar a proposta de cassação que deverá ser estabelecida pelo relator Saturnino Braga (PSB-BA) na próxima quarta-feira, ACM e Arruda precisam ter nove votos favoráveis. É fundamental para eles, a aprovação do voto fechado (secreto), único meio de impedir que a pressão popular não causeconstrangimentos aos que decidirem pelo abrandamento da pena."Se a votação for aberta, a nulidade é óbvia", avisou um dos envolvidos. Juristas do Senado afirmam que a votação aberta nesta primeira etapa é perfeitamente legal. "Vou propor a votação aberta", reiterou hoje opresidente do conselho, Ramez Tebet (PMDB-MS).Pela contabilidade da tropa de choque de ACM, que indiretamente atua a favor de Arruda, os indecisos são os senadores Casildo Maldaner (PMDB-SC), Francelino Pereira (PFL-MG), Lúcio Alcântara (PSDB-CE)e Osmar Dias (PSDB-PR). Publicamente o parlamentar catarinense afirmou ser favorável à cassação assim como, o paranaense Osmar Dias.O mineiro Francelino Pereira tem evitado demonstrar sua tendência enquanto Lúcio Alcântara é avaliado como "fiel amigo" do senador baiano e, portanto dificilmente votaria contra ele no Conselho de Ética.Arruda, que é integrante do conselho e com direito a voto, pode abster-se ou votar contrariamente à orientação do relator. Até ontem à noite, ele não havia decidido como iria votar no Conselho de Ética. Na ala dos contrários à cassação estão os senadores Nabor Júnior (PMDB-AC), que ameaçou deixar o conselho, Amir Lando (PMDB-RO), que também pensou em afastar-se do cargo de conselheiro, Geraldo Althoff (PFL-SC), Paulo Souto (PFL-BA), Waldeck Ornélas (PFL-BA), Romeu Tuma (PFL-SP) e Lauro Campos (sem partido -DF).Já os chamados irredutíveis pró-cassação são os senadores Heloísa Helena (PT-AL), Ney Suassuna (PMDB-PB), o próprio relator Saturnino Braga e Ramez Tebet, que só vota em caso de empate. O senador Jefferson Péres (PDT-AM), voto certo pela cassação, deverá ficar de fora da votação pois o bloco da Oposição só tem direito a três vagas e Campos, embora tenha deixado o PT, ainda pertence à antiga composição.

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