Acordo quer esvaziar CPI do Banespa

Um acordo firmado entre PSDB, PFL, PMDB e PPB promete esvaziar o quórum das reuniões da CPI do Banespa enquanto o deputado Luiz Antônio Fleury Filho (PTB-SP) não renunciar ao cargo de presidente. O boicote deve começar já na reunião marcada para às 14 horas de amanhã. Fleury, contudo, não se intimida, confirmou a reunião e disse que não vê motivos para que renuncie à presidência da Comissão. "Eu fui o autor do requerimento de criação da CPI e, além do mais, fui eleito para a presidência por 12 votos a 2, uma votação expressiva".Duas justificativas baseiam a argumentação para a retirada de Fleury da presidência da CPI. A primeira é que existe um acordo de lideranças para a escolha da presidência das Comissões, baseado na proporcionalidade das bancadas, e que, nesse caso, a vaga caberia ao PSDB. O segundo argumento, mais incisivo que o primeiro, é de que Fleury não pode presidir uma CPI da qual ele possa vir a se tornar parte integrante nas investigações. O parlamentar foi o último governador antes da decretação da intervenção no Banespa, o que aconteceu no último dia de sua gestão. O deputado petebista argumenta que ele é o maior defensor da transparências nas investigações, tanto que formulou o requerimento para a instalação da CPI. E devolve para o PSDB as suspeitas quanto à idoneidade da presidência do ex-governador de São Paulo. "Os tucanos têm medo de que sejam descobertas uma série de irregularidades durante a intervenção federal no Banespa, que levou, inclusive, à mudança do interventor", afirmou Fleury. O deputado federal Alberto Goldman (PSDB-SP) não fez juízo de valor quanto à gestão de Fleury como governador, mas disse que ele deveria se "tocar" e abrir mão da presidência. "Seria a mesma coisa que colocar o Ricardo Teixeira para presidir a CPI do Futebol", comparou ele. O líder do PFL, deputado Inocêncio Oliveira (PE), confirmou a obstrução dos trabalhos. "A causa do PSDB é justa; o PFL não abre mão de indicar o relator e a CPI não começa enquanto o direito do PSDB de indicar o presidente não for exercido".

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