Acordo por cargos não é chantagem, diz líder do PMDB

Líder do PMDB na Câmara e, por isso, com direito a um lugar na mesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no jantar oferecido na quarta-feira, 11, pelo partido, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), resumiu da seguinte maneira o espírito do partido na negociação para os cargos do segundo escalão: "Fizemos uma coalizão programática, uma coalizão para eleição do presidente da Câmara e agora faremos uma coalizão administrativa. No Congresso, teremos votações importantes pela frente. O PMDB garante ao governo os votos de 80 a 85 deputados, com certeza. A bancada tem que estar relaxada, bem atendida. Não é chantagem. É uma questão de tornar o partido mais parceiro."Alves pretende se reunir nesta quinta-feira, com o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), para acertar uma divisão entre indicados de deputados e senadores. Depois, o deputado irá ao ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, encarregado de conduzir as negociações, que também esteve no jantar. "Vamos dizer quais são os cargos atuais que reconhecemos como do PMDB da Câmara, os que não são nossos, os que queremos manter e os que queremos mudar. Faremos em acordo com o Senado. Vamos ver o que eles (senadores) têm, o que eles querem", resumiu.O líder do PMDB na Câmara deu um exemplo concreto de como a disputa com o PT pelos cargos do segundo escalão não será fácil. Os petistas têm hoje os comandos do Banco do Nordeste e do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS). Os peemedebistas reivindicam o DNOCS e o próprio Henrique Eduardo Alves indicou o nome do ex-deputado estadual Elias Fernandes para a diretoria-geral. "São os dois cargos mais importantes no Nordeste. Não dá para o PT ficar com os dois. Não queremos briga, queremos a participação que o PMDB merece. O presidente Lula queria o PMDB unido. O jantar é uma prova da nossa união. Agora, queremos que o partido seja reconhecido", disse o deputado.PrazoO líder peemedebista no Senado, Valdir Raupp (RO), disse que, se os cinco ministérios do PMDB tivessem sido entregues com o que se apelidou de porteira fechada, em que o partido escolhe os ocupantes de todos os cargos, inclusive das estatais, "o problema estaria resolvido". Diante da necessidade de dividir os cargos cobiçados com as outras legendas aliadas, a solução sairá "num prazo de 30 a 90 dias", pelos cálculos do senador.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.