Acordo pode firmar Brasil como potência, diz analista

Especialista alerta, porém, para risco de ''''novo ciclo de dependência externa''''

Roberto Godoy, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2008 | 00h00

O acordo de cooperação e transferência de tecnologia militar que os presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, vão assinar no fim do ano, em Brasília, "pode servir para consolidar a liderança do País como potência regional", acredita o cientista social Marcos Oliveira Osório, do Centro de Estudos Estratégicos da Universidade de San Andrés. Para o analista, a negociação do amplo pacote "precisa ser feita com grande cuidado, sob pena de levar as Forças Armadas a um novo ciclo de dependência externa".Há dois dias, Sarkozy disse na Guiana Francesa que seu governo está disposto a abrir para o Brasil livre acesso ao conhecimento necessário à produção e desenvolvimento de caças supersônicos Rafale, de quinta geração, submarinos diesel-elétricos Scorpéne, helicópteros Dauphin e Cougar, além dos diversos sistemas de armas destinados a esse equipamento. Na entrevista coletiva, o presidente francês afirmou que o acordo deve marcar "um novo tipo de relacionamento bilateral no setor dos assuntos de defesa".O analista Salvador Raza, diretor do Centro de Tecnologia, Relações Internacionais e Segurança - CeTRIS, considera essa oportunidade "excelente para o Brasil explorar o desdobramento econômico e social da política de defesa". Raza, todavia, ressalta "a necessidade de assegurar que as opções bélicas sejam alinhadas com o projeto nacional de força, e que os contratos garantam efetivamente a potencialização tecnológica da capacidade industrial do País".EFEITO MULTIPLICADORO acordo promoveria o isolamento do Brasil em relação ao núcleo de fornecedores internacionais? Para Raza, "o efeito será exatamente o contrário: um projeto desse tipo representa um poderoso fator atrativo para a inovação tecnológica em áreas correlatas, servindo como indutor de moderno e sofisticado sistema de defesa capaz de assegurar alto grau de autonomia estratégica e logística".O sociólogo Eliezer de Oliveira, do Núcleo de Estudos Estratégicos da Unicamp, destaca as vantagens para o País, "a contar do crescimento de seu perfil estratégico, significando o eventual acordo uma conexão útil do Brasil com a segurança da Europa". Na área militar brasileira, o tratado bilateral é visto com entusiasmo cuidadoso, como disse ao Estado um oficial do setor de pesquisa e desenvolvimento.Ele assegura que o governo francês tem procurado obter informações sobre a tecnologia nacional do álcool e do biodiesel, considerados pelo oficial a moeda do País na hora de sentar à mesa e discutir a troca de conhecimento avançado.

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