Acordo nuclear é positivo para o Brasil e o Mercosul, diz analista

O acordo nuclear em negociação entre o Brasil e a China é considerado "absolutamente positivo" pelo analista Jorge Castro, presidente do Instituto de Planejamento Estratégico, e sem consequências antagônicas com os interesses dos Estado s Unidos. Ele afirmou à Agência Estado que entre os Estados Unidos e a China há uma relação de cooperação estratégica dupla depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos EUA. Segundo ele, a ajuda chinesa consiste na luta contra o terrorismo e no enfrentamento conjunto contra o desarmamento nuclear de Coréia do Norte. Para o Brasil e o Mercosul, o acordo também é muito positivo para integração regional, na avaliação do especialista. "É preciso levar em consideração que hoje o presidente Lula encontra-se na China acompanhado por grande parte de seu gabinete e de 400 empresários. Em junho, quem estará lá será o presidente Kirchner com um objetivo similar ao do Brasil: estabelecer um marco de cooperação de longo prazo com a China", pondera explicando que para o Mercosul, a aliança com a China é fundamental. "A razão disso é que a China se converteu no principal mercado de exportações agroalimentarares do Brasil e da Argentina, sendo que para o primeiro, significa num grande mercado de minerais e aço", argumenta Castro. Ele afirma que a China adquiriu características de um país estratégico para ambos sócios do Mercosul e que isso "não afetará as relações com os Estados Unidos ou as negociações com a Alca porque estas caminham em âmbitos distrintos". Jorge Castro considera que se o acordo nuclear Brasil e China estiver orientado ao desenvolvimento de um programa de energia nuclear, com um caráter de cooperação tecnológica e científica, não tem motivo para gerar desconfianças internacionais ou conflitos com os Estados Unidos. Porém, se o acordo prevê algum tipo de programa relacionado ao amarmamento nuclear, o mesmo poderá gerar "posições antagônicas". Ele disse não acreditar nessa hipótese porque o Brasil faz parte do tratado de não proliferação de armamento nuclear.

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